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Respirando arte

Imperdível o bate-papo com Katia Canton sobre Temas da arte contemporânea. Acontece nesta quinta-feira, 18 de março às 19h na Loja de Artes da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

Assista ao vídeo com o convite da pesquisadora e participe do encontro, a conversa será agradável e reveladora. YouTube Preview Image

Baum e a maravilhosa Terra de Oz

oz2Os estúdios da Warner planejam produzir um remake em 3D de “O Mágico de Oz”, filmado com grande sucesso em 1939 pelo diretor Victor Fleming (“E o Vento Levou”), que catapultou Judy Garland ao estrelato. O filme foi baseado no livro “O Maravilhoso Mágico de Oz”, do norte-americano L. Frank Baum, publicado originalmente em 1900. A obra, uma deliciosa fantasia infantil, conta a história da garota Dorothy, que depois de uma tempestade é transportada com seu cachorro Totó para uma terra desconhecida (Oz). Lá encontra, além de homenzinhos estranhos (Munchkins), muita aventura.

Baum, que já era um autor razoavelmente conhecido, colocou a mão no bolso e custeou a primeira edição, vendendo 90 mil exemplares nos dois primeiros anos. O livro tinha ilustrações do genial cartunista W.W. Denslow, que trabalhou com Baum em outros livros da série, dividindo louros e lucros. Uma guerra de egos os afastou, brigaram, e Denslow acabou comprando uma ilha nas Bermudas, onde torrou todo dinheiro ganho nos tempos de “Oz” e acabou morrendo de pneumonia, totalmente esquecido (depois John R. Neill continuou a ilustrar a série). Muitos, ainda hoje, dizem que sem as gravuras e ilustrações de Denslow o livro não seria o sucesso que foi.

A obra de Baum foi inspiração para peças de teatro, musicais da Broadway, operetas, filmes e mais filmes, livros, HQ, sendo até mote político para campanhas eleitorais. O mundo da cultura-entretenimento se ajoelhou à fantasia de Dorothy e seus amigos, o Homem de Lata, o Espantalho e o Leão (sem esquecer a vilã, a Bruxa Má, que tenta impedi-la de voltar para casa). Baum começou a escrever muito cedo, mas antes do sucesso, como ocorre com muitos escritores, enveredou por vários caminhos tendo sido jornalista, empresário, autor teatral (uma de suas peças, “Maid of Arran”, chegou a obter sucesso), mas nunca deixando de ser um entusiasta da literatura infantil (na época, esse tipo de livro tinha uma abrangência bem diferente da de hoje). Casou-se em 1882 com Maud Gage, filha de Matilda J. Gage, uma proeminente mulher, ativista de várias causas políticas, como o sufrágio universal, que era totalmente contra o matrimônio de sua filha com um aventureiro sonhador como Baum.

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O fetiche voltou

Tá, não é uma volta completa porque, como disse o baixista Dengue, do Nação Zumbi, “ele nunca foi”. E nunca mesmo, só aqui em terra brazilis, cuja única fábrica [procurada também para a produção da América Latina inteira] fechara em 2007.

E é daí que o fetiche volta [matéria completa sobre o assunto na Revista da Cultura]: a Polysom renasce, volta a fabricar vinis e lança, na sua grande volta, cinco discos essenciais para descobrir a música nacional hoje, entender o que os artistas estão cantando… tudo com a delícia do vinil.

A noite do encontro e autógrafos será do dia 23 de março, às 18h, aqui na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, com Cachorro Grande [Cinema],  Fernanda Takai [Onde brilhem os olhos seus], Nação Zumbi [Fome de tudo], Pitty [Chiaroscuro] e o compacto duplo do Mukeka di Rato com Dead Fish.

Vamos ouvir bolachas?

Barber, o Adágio e a convocação

hopper_edward_morning_sun5É difícil descrever o Adágio para Cordas do compositor Samuel Barber. Muito difícil. Muito complicado explicá-lo sem ser repetitiva, ou banal, ainda mais não sendo uma estudiosa ou profissional da música. Mas (d)escrevo com o coração, só com ele. O “Adagio for Strings” (1936) é uma das grandes razões para se gostar de música, pelo menos para mim e para uma legião de fanáticos admiradores.

Trata-se de uma dezena de minutos de uma das mais lindas criações musicais do século XX. Um elogio aos violinos, as cordas, aos cellos, aos seus grandes compositores, aos que amam a delicadeza melódica, aos que não têm medo de desabar em lágrimas diante da beleza musical. O lirismo do Adágio (segundo mov. do Quarteto n.º 1 para Orquestra de Cordas - Opus 11) provocaria uma inevitável vontade de cair em depressão se não provocasse também uma avassaladora paixão pelo renascimento, pelo ressurgimento ou por qualquer forma de fecundação da alma que nos levasse a alguma revitalização.

O Centenário de Barber (09 de março de 1910), comemorado semana passada na Pensilvânia, é um bom momento para conhecer um pouco mais da obra desse brilhante compositor. O Adágio ficou tão conhecido, sendo tocado corriqueiramente em tantos filmes, reportagens, celebrações, casamentos, que o próprio compositor passou a se molestar com essa dimensão “populesca” que eclipsava o restante de sua obra (a peça foi tocada nos funerais do presidente Roosevelt (1945), de Albert Einstein (1955) e da Princesa Grace, de Mônaco (1982), só para citar alguns).

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Os lançamentos da Penguin para o iPad

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E se você ainda não está muito certo do potencial e sucesso do iPad, saiba que você está mais resistente do que a tradicionalérrima (mas também modernérrima) Penguin Books, famosa pela missão de popularizar a literatura desde 1935 e que já anuncia seus lançamentos para a plataforma. E do jeito certo: reinventando a experiência da leitura ao invés de simplesmente aterrizar o conteúdo em novo formato. No video acima você confere alguns títulos, de vários gêneros e suas possibilidades de interação.

Morre o cartunista Glauco

A sexta feira começa triste. O cartunista Glauco, pai dos personagens GeraldãoNojinsk, Dona Marta e diversos outros, e seu filho Raoni, de 25 anos, foram assassinados na madrugada de hoje numa tentativa de assalto à sua casa, em Osasco, SP.

Com 53 anos e publicando tiras desde a década de 70, Glauco também emprestava sua arte para as páginas de quadrinho da Folha de S.Paulo desde 84.

Dono de humor ácido, de traço jocoso e inteligente, Glauco retratou muito do Brasil e um pouco das neuras do ser humano em seus desenhos e nas suas tiras.

Em certa entrevista ao UOL,  Glauco disse: “Comecei a desenhar no segundo grau. Sempre desenhei na turma do fundão, que eu fui freqüentador assíduo. Desenvolvi essa linguagem e vi que era uma ferramenta muito poderosa: o humor aliado com caricatura. Desde você fazer caricatura dos professores, de algum colega de classe…”

Você pode ver muito do trabalho do artista em seu blog.

A poltrona escura e a piada do imaginar

Assisti à estreia do monólogo A Poltrona Escura, com Cacá Carvalho, na última terça feira, 09/03, no Teatro Eva Herz.

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Camisetas Clássicas

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(por James Scavone via UoD)
E que tal ter a estampa do seu livro favorito na camiseta? Escolhi Slaughterhouse 5 para ilustrar este post porque Kurt Vonnegut ainda é pouco conhecido por aqui e merece ser lido. Mas o site tem muitas outras. A loja virtual se chama Out of Print e vale o clique. Dizem eles que é tudo legal, conversado com os ilustradores e editoras e tal. A estampa já vem detonada como a capa de um bom livro velho.

Bulgákov e os manuscritos que não ardem

bulgakovHá 70 anos falecia em Moscou (10 de Março de 1940) um dos mais brilhantes escritores russos, Mikhail Bulgákov, autor do consagrado “O Mestre e Margarida”, que levou mais de 12 anos para ser escrito, tendo o autor só terminado um ano antes de sua morte, quando já estava cego. Bulgákov, que também foi um brilhante dramaturgo, ditou os capítulos finais da obra para sua mulher, que pacientemente os escrevinhou e os guardou à sete chaves. O livro, publicado integralmente mais de 20 anos após sua morte (embora extratos tenham circulado numa revista literária em 1966), foi relançado esse ano no Brasil, ganhando pela primeira vez uma tradução direta do russo. A tradução de Zoia Prestes é soberba. Nascida no Rio de Janeiro (1962), filha do célebre Luiz Carlos Prestes, Zoia foi com a família para Moscou em 1970, onde ficou por 15 anos, tendo se formado em Pedagogia e Psicologia pela Universidade de Moscou.

Trata-se de uma tradução complexa, pois Bulgákov dedicou boa parte de sua vida à construção da obra e não poupou afrescos e hipérboles literárias para sua elaboração. Em “O Mestre e Margarida” Bulgákov refaz a temática “fáustica” invertendo os papéis: Margarida, influenciada por seu grande amor, o Mestre, é quem faz o pacto com o demônio (Woland), que chega com sua comitiva a Moscou em plena Era stalinista. Uma paródia às avessas da obra de Goethe, Fausto. A “trupe endiabrada”, que inclui o gigantesco gato Bieguemot (adora xadrez, vodka e armas), conhece e se envolve com o Mestre, um autor perseguido pelo Estado por ter publicado um romance sobre os dias finais de Jesus. É desnecessário dizer que o livro sofreu toda a sorte de censura não só do Estado como de boa arte do establishment intelectual soviético da época.

Antes de qualquer coisa o livro é uma deliciosa sátira, nem sempre fácil de acompanhar, mas absolutamente envolvente em seu humor corrosivo, do qual não escapa ninguém. Mas que não haja ilusões: a qualidade do livro está justamente no mix de divertimento com uma profunda reflexão sobre as falências da natureza humana. Foi revolucionária para a época (talvez até hoje seja), influenciou escritores (Salman Rushdie foi influenciado pelo russo em seu “Os Versos Satânicos“), pensadores, músicos (Mick Jagger teria lido a obra pouco antes de compor “Sympathy for the Devil“), e é considerada uma das mais importantes peças da literatura russa de todos os tempos.

Médico de formação, Bulgákov renunciou à medicina para se dedicar inteiramente a literatura e a dramaturgia, como descrito em “O Diabo Solto em Moscou”, uma coletânea de contos e novelas precedidos por um estudo sobre a vida e a obra do autor. Essa lenda da literatura russa teve uma vida difícil, estrangulada pelas sensações de ser um missionário, repleto de ansiedade e querença por libertação, em meio a uma sociedade que dia a dia caminhava para o obscurantismo. Morreu por “nefroesclerose hipertônica” (doença renal), sendo perseguido e castrado pelo governo de Stalin (que reza a lenda gostava de sua escrita). Bulgákov faz parte daquele grupo de autores que enfrentou o sistema, o medo, sua miserável saúde (morreu com quase 49 anos) e a não menos miserável miopia de um Estado totalitário. Enfrentou também, e venceu, o tempo. Seu trabalho continua sendo atual, mágico, uma ilha de excelência em meio a tanta literatura menor que a modernidade produziu. Uma única frase de “O Mestre” pode resumir Bulgákov, e descrever seu libelo constante contra as excrescências do autoritarismo: “Os manuscritos não ardem”.

Um sonho possível (The blind side)

blindside_03Confesso que quis ver o filme um dia depois do Oscar apenas pela curiosidade de analisar a interpretação da atriz mais rentável de 2009. Sandra Bullock tinha acabado de faturar a estatueta de Melhor atriz e eu, muito desconfiada, fui ver com meus próprios olhos se ela era realmente merecedora do prêmio. O veredito final: uma premiação um pouco precipitada.

Sandra faz o papel de Leigh Anne uma ricaça branca, com uma família perfeita, consciente de seus valores cristãos que muda sua vida quando conhece Big Mike, um negro obeso, de QI baixíssimo e filho de uma viciada. Sem pensar duas vezes, a mãe de família tira o menino das ruas e o leva para sua casa, dando-lhe cama, comida, roupa e tudo o que ele nunca teve: uma família estruturada e carinhosa.

A atriz não arrasa na atuação, mas traz leveza e naturalidade a personagem. Não há grandes momentos emocionantes, até porque o filme é bastante raso e não carrega na emoção e nem na comédia, mas tem seu mérito. É um papel diferente do que ela está acostumada a fazer e parece ter sido fiel ao que foi proposto pelo diretor John Lee Hancock. Talvez sua interpretação tenha sido um pouco prejudicada justamente pela atmosfera insossa do filme.

Porém, não é de todo ruim. O diretor fez uma contextualização muito boa da política atual, na qual os republicanos se colocam como vítimas da era “Obamista” e dizem sofrer com o racismo contra os brancos. John Lee também utilizou a relação do caçula da família com o grandão, de forma agradável e inteligente. Uma ferramenta excelente para gerar empatia do público.

No fim, o filme se foca em uma história de amor altruísta, por isso é compreensível o sucesso que fez nos Estados Unidos e que, provavelmente, fará no Brasil. É fácil sair do cinema com aquela sensação de dever cumprido devido ao desfecho extremamente feliz, e o melhor, verídico.



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