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Archive for December, 2008

Titãs: nostalgia dos anos 80

Ontem, a Academia de Filmes, responsável pela produção do documentário Titãs - a vida parece uma festa, dirigido por Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, fez uma sessão fechada para convidados do filme que ja passou pelo Festival do Rio e pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo este ano, mas que deve entrar em cartaz no circuito comercial apenas no dia 16 de janeiro. Em uma palavra, a produção pode ser definida como nostálgica. Trata-se de um álbum audiovisual de diferentes vídeos gravados pelos Titãs durante a carreira e que são editados junto com diversos registros da TV, marcantes para o grupo. Mas é por isso que o filme vale. Vemos todas as nossas referências dos anso 80 e 90 passarem guiadas pela trajetória da banda. Há momentos hilários como as das participações dos Titãs no programa do Gugu Liberato, em que três integrantes tentam resgatar uma moça da teia de uma aranha mortífera, ou cena do ”Qual é a Música” de Silvio Santos quando recebem o troféu imprensa de melhor banda de 87. O filme é nostálgico para o grupo que são mostrados como o que são: um grupo de amigos que montou uma banda que fez bastante sucesso. E é exatamente por isso que o filme vale. Destaque para uma cena de uma das primeiras performances de Nando Reis com Marvin - ele poderia fazer o Visconde de Sabugosa na TV tenho certeza - editada junto com a participação de Jimmy Cliff no acústico MTV do Grupo. Aqui segue a abertura do filme, que foi melhorada, para as salas comerciais.

100 anos: be prepared!

Levi-Strauss, antropólogo que escreveu o clássico Tristes Trópicos (entre outros) acaba de fazer 100 anos. É mais um dos centenários homens vivos, prepare-se que, do jeito que a ciência médica vai, chegaremos lá fácil. Só lembrando rapidamente quem viveu ou vive na ativa até os cem ou mais: Derci Gonçalves, Roberto Marinho, Oscar Niemayer…

Bem, mas na verdade escrevo para recomendar a leitura de um livro sobre o Natal, escrito pelo Levi-Strauss em 1952 e publicado agora no Brasil. Chama-se  O suplício de papai Noel. Conta a origem da famosa árvore, de onde pode ter vindo seu culto e como toda a iconografia da festa partiu de diversas partes do globo, de tempos imemoriais, da idade média, e como tomou a forma atual, a partir dos EUA, depois da segunda grande guerra. Belo presente para a família.

Saramago fala sobre novos projetos no cinema

Em conversa informal com Pedro Herz durante sua visita a Livraria Cultura, no último domingo, José Saramago comentou que foi procurado por produtores brasileiros interessados em levar para o cinema outros dois livros seus, As intermitências da morte e O homem duplicado. O interesse surgiu após o lançamento de Ensaio sobre a Cegueira. Confira Saramago contando a novidade no vídeo abaixo.

Update: Hoje, no seu blog, Saramago fala de suas ótimas impressões sobre a Livraria Cultura. Leia aqui

As listas de final de ano

É sempre assim, o fim de ano se aproxima e as listas dos “melhores” vão aparecendo em sites, revistas e blogs.  Resolvi então fazer parte, e escolhi o disco do ano: “History Mystery” do guitarrista de jazz norte americano Bill Frisell que esteve recentemente no Brasil. Lançado em maio, o CD duplo tem Frisell e seus milhões de timbres de guitarra, mais um septeto que traz inclusive violino, viola e violoncelo. O álbum vai do jazz à música erudita contemporânea, passando pelo blues e a música circense, formando uma  história com pequenos capítulos, em 30 faixas. Ouça e se embriague com “A Change is Gonne Come” e seus nove minutos de solos de guitarra e sax. Os andamentos desconcertantes das músicas nos fazem descobrir algo novo a cada audição. E então, já fez a sua lista?

Vira Cultura – Parabéns a todos por esse evento tão Legal!

Não é fácil preparar um evento de 37 horas em apenas 1 mês. A idéia do evento não era tão nova, mas do momento em que decidimos tocar o projeto até sua realização, no ultimo dia 28, foram exatamente quatro semanas de pura loucura para todos os envolvidos na organização. Quando começamos a divulgação, não esperávamos uma aceitação e uma repercussão tão grande, tanto por parte da imprensa, quanto do publico. Confesso que fiquei um pouco preocupado. Estávamos fazendo algo novo, investindo bastante tempo e dinheiro, mas nada tirava da minha cabeça que éramos marinheiros de primeira viagem convidando a cidade de São Paulo para passar um fim de semana se divertindo em uma de nossas lojas. E se algo desse errado? E se o publico não gostasse? E se falhássemos na organização? Felizmente nada deu errado. Foi tudo muito bem feito; foi uma festa imperdível. Quero aqui agradecer (do fundo do coração) a todos os envolvidos com o Vira Cultura. Não irei mencionar nomes nem departamentos, pois tenho medo de esquecer alguém. Foram mais 400 pessoas da Livraria Cultura que se dedicaram muito para tornar realidade um projeto de fazer inveja a qualquer cidade do mundo. Agora nos resta apenas fazer o próximo Vira Cultura ainda melhor. Para isso precisamos da participação de todos colaborando com idéias, sugestões e criticas.

Saramago: “É uma catedral”

O Vira Cultura terminou às 10 da noite deste sábado depois de 37 horas ininterruptas. Logo que um evento deste porte termina, os envolvidos ficam meio angustiados, sentimento normal depois de se trabalhar tanto durante a organização e a realização. O domingo amanheceu com ar de ressaca, que foi curada imediatamente após um telefonema no qual ficamos sabendo que José Saramago viria visitar a Livraria Cultura antes de embarcar de volta para Lisboa. Por volta das 13 horas, o escritor veio acompanhado de sua mulher, Pilar, Luiz e Lilian Schwarcz conhecer a Cultura. “É uma catedral”, disse assim que entrou na loja principal. Pedro Herz, que o recebeu, explicou que a livraria foi construída no mesmo local onde funcionou durante muitos anos um tradicional cinema, o Cine Astor. Saramago então comentou: “Isso mostra como a palavra supera a imagem”. O prêmio Nobel de Literatura também visitou a loja da Companhia das Letras, onde ficou por mais de meia hora, conseguiu relaxar, sentar, folhear e escolher diversos livros… Atendeu também alguns fãs que o reconheceram, deu autógrafos, conversou com crianças… Que prazer foi conhecê-lo!



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