03 ago2009

Guillaume Le Gentil: o astrônomo azarado

por Ruy Barata Neto (Cultura/Adm) | Ciência, Insights, livros

O azar é sinônimo do acaso e muitas vezes nenhuma de nossas habilidades intelectuais ou físicas são capazes de impedir que algo dê errado. E o astrônomo francês Guillaume Le Gentil, conhecido como o homem de ciência mais azarado da História, soube bem o que é isso. Ele passou por verdadeiros tormentos para medir o trânsito de Vênus e ainda assim não obteve sucesso. Este evento astronômico ocorre em pares com oito anos de diferença e depois disso demora um século ou mais para se repetir. O último trânsito, por exemplo, foi registrado em 2004 e o próximo será em 2012. Depois disso, só em 2112, no mínimo - ou seja, trata-se de um momento único na vida dos especialistas e interessados pela astronomia. Veja a história desse grande astrônomo depois do jump. Fiquei empolgado em reproduzí-la depois de ler o delicioso A Short History of Nearly Everything (Breve História de Quase Tudo), do escritor americano Bill Bryson – muito divertido. UPDATE: achei que também seria interessante ilustrar o post com o próprio objeto de pesquisa de Guillaume o Trânsito de Vênus – o último de 2004.

Imagem de Amostra do You Tube

Foi o Edmond Halley -  o responsável pelo nome do cometa – que propôs a medição do trânsito de Vênus. A sua ideia era aferir, a partir do estudo, a distância real da Terra para o Sol. Guillaume mergulhou nisso. Em março de 1760, mais de um ano antes do trânsito, que aconteceria em julho de 1761, Le Gentil partiu para o porto de Pondcherry, na Índia, onde julgava ser o melhor local para o trabalho astronômico. Quando se aproximava do destino, uma série de contratempos causados pela Guerra dos Sete anos impediu que seu navio chegasse ao porto indiano. Ele acabou vendo o trânsito de Vênus da embarcação e não conseguiu fazer medição alguma por conta da natural instabilidade do mar.
Mas Guillaume não desistiu e foi até Pondcherry naquele mesmo ano para montar um observatório e aguardar o próximo evento que aconteceria em 1769, oito anos depois. Quando finalmente chegou o dia do trânsito, em 4 de junho de 1769, uma nuvem se instalou em cima do seu observatório por pouco mais de três horas, justamente o tempo que durou o trânsito. E, assim, suas intenções de medir o evento foram por água abaixo. Muito p… da vida, Le Gentile arrumou suas coisas e decidiu voltar para a França.
Mas sua onda de azar não tinha terminado. Ele não conseguiu partir imediatamente. Foi acometido de uma grave desinteria que o deixou de cama por quase um ano. Quando conseguiu embarcar num navio de volta para seu país, ainda enfraquecido, sua embarcação quase naufraga ao ser atingida por um furacão na travessia da costa africana. Finalmente ao chegar em casa, em 1771, 11 anos depois da partida, descobriu que sua família o havia dado como morto, que havia sido substituido na Academia de Ciências e que seus parentes haviam dilacerado seu pomposo patrimônio. Bom, ele teve que esperar um bom tempo para que houvessem intervenções legais para sua situação se normalizar. A história de Guillaume é prova de que quando se está com azar, não há remédio que dê jeito.

Ruy Barata Neto (Cultura/Adm)

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No Responses to “Guillaume Le Gentil: o astrônomo azarado”

  1. Tati 03. ago, 2009 at 17:20 #

    Desgraça pouca é bobagem!

  2. Mariana 03. ago, 2009 at 20:34 #

    Que barra heim????

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