18 jun2010

Morre José Saramago

por Pedro Jansen | Literatura

Morreu hoje o escritor português José Saramago, aos 87 anos, em Lanzarotte, nas Ilhas Canárias. Autor de 16 romances, foi com um deles, Ensaio Sobre a Cegueira, de 1995, que Saramago ganhou o Nobel de Literatura.


Entre a sua extensa bibliografia, estão, além do livro que lhe rendeu o Nobel, clássicos da literatura ocidental como A Jangada de Pedra, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, As Intermitências da Morte, entre outros. Saramago sempre recheou seus livros com duas características muito marcantes: a análise do homem e a crítica à sociedade. Longe do viés panfletário que essas duas características podem emanar, os livros de Saramago eram, essencialmente, cheios de poesia e lirismo.

Essa poesia e lirismo sobre a análise do homem e a crítica à sociedade começaram a aparecer, em drops, no Caderno de Saramago, blog que o autor fundou em 2008 e que passou a alimentar esporadicamente com trechos de escritos antigos [artigos, contos, ensaios] e com comentários sobre o cenário que o rodeava, as últimas impressões sobre o pensar e agir humanos.  Em 2009, um compilado dos textos do blog foi publicado sob o título de O Caderno.

Ainda lembro de um especial do Jornal da Globo que entrevistava Saramago sobre a morte. Era muito tarde de uma noite fria e ouvir aquele homem de cabelos brancos, de palavras rápidas e raras, falando sobre os cheiros da infância, eternos na lembrança, sobre as certezas que o tempo trazia e, entre elas, claro, a morte era uma das mais vigorosas.

E hoje ela chegou para Saramago. Que o cheiro das oliveiras o acompanhe, amém.

Saramago publicou os seguintes romances:

Terra do Pecado [1947], Manual de Pintura e Caligrafia [1977], Levantado do Chão [1980], Memorial do Convento [1982], O Ano da Morte de Ricardo Reis [1984], A Jangada de Pedra [1986], História do Cerco de Lisboa [1989], O Evangelho Segundo Jesus Cristo [1991], Ensaio Sobre a Cegueira [1995], Todos os Nomes [1997], A Caverna [2000], O Homem Duplicado [2002], Ensaio Sobre a Lucidez [2004], As Intermitências da Morte [2005], A Viagem do Elefante [2008] e Caim [2009].

O Blog da Cultura já falou bastante sobre Saramago. Aqui estão nossos posts sobre ele:

Também fizemos um vídeo com Saramago, durante a sua visita à Livraria Cultura, em 2008.

Imagem de Amostra do You Tube

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Pedro Jansen é editor da Revista da Cultura, publicação da Livraria Cultura, jornalista profissional e escritor, músico e fotógrafo amador.

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14 Responses to “Morre José Saramago”

  1. Paulo Laubé 18. jun, 2010 at 14:06 #

    Morre José Saramago aos 87 anos. Pequena homenagem no Literatura Cotidiana http://literaturacotidiana.com.br/?p=3434

  2. Julian Guilherme Guimarães 18. jun, 2010 at 15:25 #

    Não só a literatura perdeu um de seus maiores representantes, mas a humanidade lastima a ausência de um ser humano extraordinário. Faço meus os versos do próprio mestre: “Só direi/ Crispadamente recolhido e mudo/ Que quem se cala quando me calei/ Não poderá morrer sem dizer tudo”.

  3. Sergio Miguez 18. jun, 2010 at 17:38 #

    Este junho está triste para a cultura do mundo, foram-se Massao Ono, Geraldo Anhaia Melo, e agora José Saramago. A vida está mais dura para quem ficou.

  4. Kelly de Souza 18. jun, 2010 at 19:54 #

    Além de Portugal, todos nós que estamos unidos – certo modo – pela língua portuguesa, também ficamos órfãos.

    “Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas. Felizmente, graças à inesgotável generosidade da imaginação, cá vamos suprindo as faltas, preenchendo as lacunas o melhor que se pode, rompendo passagens em becos sem saída e que sem saída irão continuar, inventando chaves para abrir portas órfãs de fechadura ou que nunca tiveram” – (em A Viagem do Elefante)

  5. Achel Tinoco 19. jun, 2010 at 0:50 #

    Talvez, agora, vai-se descobrir o gênio que era o Saramago. Mas ele verdadeiramente o era. Um escritor que sabia, como poucos, manusear as palavras, como se somente dele fossem dependentes e a ele somente as pertencesse. De um estilo único e inigualável, fez provocações ao homem, fazendo-o pelo menos pensar, principalmente sobre Deus e a igreja. Desse modo, Azinhaga, que era tão pobre quando por lá ele nasceu, herda suas lembranças póstumas e tão ricas. Sem este José, portanto, o mundo fica menos crítico, e sem este Saramago, fica mais cego e desassistido.

  6. Harlei Cursino Vieira 19. jun, 2010 at 2:53 #

    O velho Saramago vai fazer muita falta!

  7. Maria** 19. jun, 2010 at 10:02 #

    A Cultura muito deve a Saramago e muita honra lhe deve fazer , já estes para além de não saberem disso também não devem saber ler:-@: “na morte de saramago nem os hipócritas faltaram; o psd e as suas tuitadas indecentes. ~ a pomba livre”( http://twitthis.com/fxnjn6

  8. FELLIPE KNOPP 20. jun, 2010 at 21:50 #

    Perda lastimável! Sua bibliografia se compara aos grandes, como Balzac. Embora soubessemos sê-lo já de idade avançada, e da gravidade da doença de que padecia havia anos, gostaríamos de ver sua morte procrstinada, de ter sua vida prorrogada bem mais a brindar-nos com seu prodígio literário!sobreutudo porque há poucos escritores lusófonos com extirpe e projeção de Saramago na atualidade, em que a profissão da escrita está na iminência de dissolver-se na absorção a outras formas de expressão conglomeradas e degeneradas em cada um de seus fatores!

  9. MANUEL LEONARDO HORTA NOVA 20. jun, 2010 at 22:07 #

    Morreu José Saramago. Conheço toda a sua obra escrita.
    Lamento a atitude do presidente que se intitula ser de todos os Portugueses e não achou oportuno interromper as suas férias. Sorte sua que não consigo ter férias, apesar de também ser Português mas não sou licenciado pela unversidade(?) independente, tenho um passado limpo, tal como Saramago pago os meus impostos até ao ùltimo centimo, o que não acontece como muitos dos que podem passar férias como o senhor. Já reparou na diferença de dimensão humana e patriótica que existe entre si e este Senhor?…
    Lamento a sua atitide e espero que nos esqueça porque pouca falta nos faz e sededique mais à literatura jà que me parece ser doutor honoris causa em letras por uma qualquer universidade que não o conhecia minimamente, caso contrário não o faria.
    Arrependa-se e peça desculpa a todos os Portugueses que ofendeu. Embora a sua recandidatura esteja já comprometida; mas o senhor já tem vàrias reformas e assim ficar-nos-à um pouco mais barato

    Manuel Leonardo Horta Nova

  10. luis 27. jun, 2010 at 18:13 #

    da wikipedia:
    "O Nobel de Literatura (em sueco: Nobelpriset i litteratur) é um prêmio (português brasileiro) ou prémio (português europeu) literário concedido anualmente desde 1901. É atribuído a um autor de qualquer nacionalidade que, de acordo com as palavras do próprio Alfred Nobel, criador da distinção, tenha produzido, através do campo literário, o mais magnífico trabalho em uma direção ideal (originalmente do sueco: den som inom litteraturen har producerat det utmärktaste i idealisk riktning). O "trabalho" referido aqui significa, para Nobel, a obra inteira desse escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo e suas filosofias, não distinguindo uma obra em particular."

    sublinho aqui a ultima frase, porque refere-se aí no post que o nobel foi atribuído ao "Ensaio sobre a cegueira". nao, porque o nobel é para o conjunto da obra de 1 escritor, nao para 1 livro. é este 1 blog de cultura/literatura?

    • manuel horta nova 27. jun, 2010 at 21:33 #

      O senhor doutor honoris causa em literatura Cavaco Silva (isto é tão verdade como outro nosso presidente que foi condecorado por uma plataforma petrolífera arvorada em país e, quando confrontado com esta realidade disse: estas coisas não se recusam..aceitam-se.
      Será que o senhor doutor Hnoris causa em lliteratura vai manter tabus em relação à sua recandidatura a presidente?… O sennhor que não sabe discernir a diferença entre o cidadão e o presidente.
      Ouvi numa entrvista que a sua presença desviava as atenções devidas ao defunto. eu assisti à apresentação da obra "A Caverna" estava presente entre muitos ministros e intelectuais o Presidente da Républica daquela época´no seu segundo mandato e, a sua presença não se salientou não prejudicou nem ofuscou a dimenão de José Saramago. Agora é tarde para compreender a diferença entre o cidadão sr. Sliva eo Presidente de todos os Portugueses. Quanto aos tabus, depois nós falamos: se a memória dos Portugueses não for curta, o senhor vai ser o primeiro presidente que não consegue ser reeleito.

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