21/03/2010   RSS posts: 989comentários: 2.245 updaters: 559
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Author Archive for Marcelo Salgado

Além do que podemos tocar

alem11Meu irmão é biólogo, grande fã de Darwin, mestrando e agnóstico. Aliás, faz questão de destacar a diferença entre ateu (que simplesmente não crê em deuses) e agnóstico: este último entende que, assim como não seria possível provar a existência de forças sobrenaturais ou deuses, também não podemos saber, pela razão, se aqueles inexistem.

O agnosticismo tem origem cerca de 300 anos antes de Cristo (o que torna sua relação com o intangível ainda mais interessante). Um filósofo grego, Pirro de Elis, fundou o Ceticismo, que negava a possibilidade do ser humano ter certezas das coisas; formou, assim, a base ideológica da (des)crença em divindidades, fantasmas e afins.

Perto dos fins de ano, as pessoas tendem a ficar mais esotéricas, abertas ao imaterial, etéreo, “æther”. Parece que, para o ser humano, basta um pequeno motivo, como a doce ilusão de um mágico reinício, um “reset” com a passagem de um ano, para ACREDITAR.

Você já viveu uma experiência sobrenatural? Acredita que há mais do que as coisas que podemos tocar?

Camadas sobre camadas: significado e controle

neve1O programador e estudante de Filosofia (!!!) estadunidense Alexander Galloway esteve recentemente no Brasil para falar de redes digitais, controle e anonimato. Galloway nunca havia estado na América do Sul e, apesar de tímido, compartilhou generosamente sua sabedoria técnico-filosófica – a mesma utilizada no livro “Protocol - How Control Exists After Decentralization”.

Aqui no Brasil, o especialista em redes digitais falou sobre certas características essenciais - pré-condições - para a existência de uma rede: incongruência e assimetria. Talvez por isso o protocolo (de rede, como DNS e HTML) seja uma manifestação tão humana e socialmente rica - afinal, é imperfeição, é desequilíbrio, é abertura. Mais ainda: é distribuição de poder. O protocolo remete, de fato, à idéia mais fundamental de “etiqueta” – conjunto de regras aceitas formal ou tacitamente por uma coletividade. Pois não há como operar dentro do protocolo sem estar sujeito a todo ele e a suas limitações e regras. Deve-se entender que um protocolo é, em verdade, uma camada (de regras) sobre outra camada – a rede (web) em si, o substrato mais técnico que permite a comunicação à distância entre computadores. Quem aceita o protocolo, ou seja, quem usa a internet, deixa rastros, “pegadas na neve” que nem imagina. E é exatamente esse o maior ônus que quem usa a rede necessariamente paga: a concessão de dados, poder e controle sobre quem ele é, o que faz e quanto tempo passa em cada site.

Galloway adequadamente chama o protocolo de “a mais organizada mass media conhecida pelo homem”. De fato. Maciça, muito mais do que qualquer outra mídia; porém, com outras características muito distintivas, como agilidade, fluidez - e poder distribuído.

As possibilidades, mas, também, as vulnerabilidades dos comunicadores nunca foram tantas nem tão grandes como agora. Quando estiver passeando na rede, não se esqueça: queira ou não, saiba ou não, já aceitou o protocolo.



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