
A matéria de capa da Revista da Cultura deste mês mostra como editores, designers e artistas plásticos entendem o poder de atração da capa do livro em meio às concorridas prateleiras das livrarias. Nesse investimento, a imagem ganha contornos próximos ao do objeto de arte, com ousadia gráfica, materiais diferenciados e exclusividade.
Nossa capa não poderia ser diferente. Convidamos, então, o designer carioca Rico Lins para produzi-la. Ele nos contou, no vídeo abaixo, gravado em seu estúdio, num discreto sobrado do bairro de Perdizes, em São Paulo, como foi o processo criativo para a elaboração da capa e a relação do leitor com um bom projeto gráfico.
Rico é um dos maiores nomes do mercado editorial, conhecido pelo seu hibridismo gráfico por percorrer tanto técnicas mais tradicionais, como a colagem e a gravura, quanto digitais, valendo-se de softwares de edição e criação. Formado em Comunicação Visual, em 1979, pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), a pioneira na área no Brasil, morou na França, Inglaterra e Estados Unidos. Sua forma única de lidar com a imagem abriu caminhos para trabalhos em revistas, jornais, televisão e outros suportes. Só para citar alguns exemplos, já passou pela MTV, Newsweek, Time e Nickelodeon.
Para ele, a imagem não é obrigada a concordar com o texto e tem personalidade própria. “O importante é transferir um significado à ela, no sentido de se forjar um repertório”, defende. “Quando se estabelece uma coexistência entre os dois, a qualidade do trabalho editorial é superior, porque se obriga o leitor a treinar o olhar, ampliando sua possibilidade sensorial e intelectual”.
O Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, mantém até o dia 12 de julho a exposição Rico Lins: uma gráfica de fronteira, na qual reúne mais de 100 trabalhos do designer.