É impressionante como pequenos acontecimentos do cotidiano reverberam pela nossa vida afora num movimento impossível de conter e belo de observar.
Há alguns anos eu trabalhava em outra livraria e atendia uma cliente que buscava algo novo para ler. Perguntei qual o último livro de que gostara e nem um traço de dúvida passou pelo seu rosto. Sumiu da minha vista por alguns segundos. Enquanto a esperava pensei que os papéis estavam ligeiramente invertidos e cheguei a conclusão de que esta inversão era bastante saudável. A mulher retornou com a resposta em mãos:
“Este é o melhor livro que li nos últimos anos.”
E me entregou.
O título era “As brasas”, de Sándor Márai.
Na época não cheguei a ler. Tenho essa sensação de que livros e pessoas se encontram e desencontram como amantes, há momentos em que ninguém nos serve e há outros em que qualquer um serviria. Naquele em especial, o tal autor húngaro não se encaixava.
No início deste ano, no entanto, já trabalhando na Cultura, o livro caiu em minhas mãos novamente. E o engoli. É um livro lindo, desde as descrições até as falas, cada personagem perfeitamente desenhado. A principal ação da história é uma conversa entre dois senhores que há muito não se viam e que muito tinham a acertar. Não é um assunto leve. Mas a conversa flui como poucas que experimentamos, aquelas conversas nas quais a noite acaba tão rápido que a despedida já é nostalgia.
Pois bem, ontem peguei o último romance deste autor que a Companhia das Letras publicou, “Libertação”, e fiquei ainda mais impressionada com o que ele teve a dizer. Se o primeiro tratava de relações humanas este trata da matéria prima do homem, do que é o humano, da razão pela qual nos matamos e tememos.
Não é um livro de batalhas épicas. Quase tudo se passa em um mesmo ambiente e penso nisso como um traço forte da literatura de Márai. Apesar do cenário da ação ser Budapeste durante a tomada pelos russos, o foco da narrativa é a ação interna dos personagens. E do que se trata neste espaço recluso é monumental. É o ser humano redescobrindo-se como tal e questionando-se. Uma moça que se transforma até o final do livro de maneira crua e pungente. Li em uma única sentada, se me permitem a expressão rude. E permaneci na cadeira, olhando para o nada, depois que as últimas palavras ecoaram na minha cabeça.
Uma inquietação arrebatadora.
Abraços

Sempre gostei de tomar meu Nescau de uma vez só.
Como vocês devem ter notado, eu não segui o conselho do Murakami de escrever um pouquinho todo dia e abandonei o blog por meses. Também não comecei a correr em maratonas e, na verdade, estou cogitando largar a academia. É, o cotidiano pode ser muito triste, não é verdade? E é por isso que lemos fantasia, histórias que nos transportam para um mundo diferente do nosso. Um lugar onde não somos apenas comuns e tolos, mas heróis que podem salvar a humanidade. Tolkien constrói universos como esse, assim como Stephanie Meyer e Charlaine Harris (sim seu nerd preconceituoso, elas também). Vamos ver se vocês adivinham qual meu favorito.
Stephanie Meyer entretanto foi na fatia do bolo que pertence às garotas. Crepúsculo não é uma história de vampiros: é uma história de amor. Você espreme e não sai sangue, sai romantismo adolescente. O fato do galã ser vampiro só torna o “remake” de Romeu e Julieta ainda mais interessante.
Estou lendo este livro de memórias do