
Não é fácil preparar um evento de 37 horas em apenas 1 mês. A idéia do evento não era tão nova, mas do momento em que decidimos tocar o projeto até sua realização, no ultimo dia 28, foram exatamente quatro semanas de pura loucura para todos os envolvidos na organização. Quando começamos a divulgação, não esperávamos uma aceitação e uma repercussão tão grande, tanto por parte da imprensa, quanto do publico. Confesso que fiquei um pouco preocupado. Estávamos fazendo algo novo, investindo bastante tempo e dinheiro, mas nada tirava da minha cabeça que éramos marinheiros de primeira viagem convidando a cidade de São Paulo para passar um fim de semana se divertindo em uma de nossas lojas. E se algo desse errado? E se o publico não gostasse? E se falhássemos na organização? Felizmente nada deu errado. Foi tudo muito bem feito; foi uma festa imperdível. Quero aqui agradecer (do fundo do coração) a todos os envolvidos com o Vira Cultura. Não irei mencionar nomes nem departamentos, pois tenho medo de esquecer alguém. Foram mais 400 pessoas da Livraria Cultura que se dedicaram muito para tornar realidade um projeto de fazer inveja a qualquer cidade do mundo. Agora nos resta apenas fazer o próximo Vira Cultura ainda melhor. Para isso precisamos da participação de todos colaborando com idéias, sugestões e criticas.
Nestes últimos dois dias fiquei praticamente imerso em discussões sobre o futuro do consumidor; de como será o comportamento dos nossos clientes num mundo completamente conectado e quais serão as necessidades da geração Internet.Do total de lares americanos, 79% já têm acesso à internet e mais de 60% já tem banda larga. Quase 80% dos jovens que estão online entram em comunidades virtuais para saber o que os amigos estão fazendo, o que é “cool” e o que não é! Isso quer dizer que a influencia que um grupo tem sobre as decisões individuais é bastante relevante. Não é mais uma promoção ou uma propaganda legal na TV que determina quais restaurantes são bons, que produtos são legais de serem comprados, que lojas devem ou não ser visitadas e etc..Por cima, estes dados demonstram o quanto o relacionamento das empresas com seus consumidores serão influenciados pelo mundo virtual e suas interações sociais. O marketing boca-a-boca virtual esta ganhando cada vez mais força. Tentando resumir : O consumidor moderno tem quatro necessidades fundamentais e talvez universais: 1) Conexão – Nossa historia, nossas relações profissionais e pessoais de alguma maneira estarão expostas em algum servidor web. Teremos (acho que já temos) a necessidade de ter acesso a tudo e a todos 24hs por dia. 2) Individualidade - cada vez mais iremos consumir produtos e serviços customizados e que tenham significado e alinhamento com nosso estilo de vida.3) Conforto/Segurança - queremos conveniência e ótimas experiências em nossas relações. Nossos momentos, nosso Tempo( pessoal e intransferível e não interessa o que cada um faz com o seu) são ativos cada vez mais importantes.4) Variedade – queremos muita abundancia e liberdade de escolha.Cada uma dessas necessidades tem um grau de importância que difere de acordo com os momentos específicos de cada individuo. Um jovem de 21 anos ao avaliar a compra de um PC ou de um MAC tem aspirações e expectativas que são completamente diferentes daquelas que ocorrem durante uma entrevista de emprego. Conhecer o consumidor, saber em que momento ele interage com sua empresa, e quais são as verdadeiras necessidades são os fatores que determinarão o sucesso ou fracasso de qualquer empreendimento. Durante o fórum, vários “cases” foram discutidos, mas especificamente dois deles chamaram a atenção. O primeiro foi à apresentação do CEO da Blockbuster sobre o futuro de uma empresa que para muitos, inclusive para mim, já estava selado e destinado ao fracasso. Fiquei impressionado como eles se reinventaram e criaram serviços fantásticos para seus clientes. Outro caso bastante interessante foi o da Build-a-Bear. Para quem não conhece, esta empresa vende bichos de pelúcia customizados para seus clientes mirins. Eles criaram um mundo virtual chamado Build-a-bear Ville. Vale a pena uma visita no site das duas empresas. Para a Livraria Cultura , mais do que conhecer e pesquisar hábitos de consumo, é poder interagir com seus clientes. Por isso lançamos recentemente o Blog da cultura, lançamos o Blog do Riuston e campanhas como Contos da Cultura. Estamos de portas abertas.
Na próxima semana estarei em Dallas participando da edição 2008 do Forrerter’s Consumer Fórum. Já faz três anos que participo e geralmente trago boas novidades com relação a tendências para o comportamento do consumidor. Num desses encontros tive o Grande prazer de conhecer Josh Bernoff. Ele é autor do livro GROUNDSWELL - WINNING IN A WORLD TRANSFORMED BY SOCIAL TECHNOLOGIES.Leitura indispensável para quem quer se aprofundar no tema de mídias sociais. Outra dica bastante interessante é o próprio blog do Josh .Ele esteve no Brasil visitando empresas em São Paulo e sua experiência esta no “post” São Paulo, Brazil: a fascinating visit. Um dos principais desafios da Livraria Cultura é planejar o amanha. Como devera ser a arquitetura e ambiente de nossas lojas? Que tipo de novos serviços poderemos oferecer? Como lidar com um consumidor cada vez mais antenado e conectado? Darei noticias direto do Evento. Bom final de semana! More »« Less
Durante a feira do Livro de Frankfurt, ocorrida na semana passada, vários jornais brasileiros publicaram matérias sobre o Livro Eletrônico. A organização do evento divulgou que 30 % de todo conteúdo disponibilizado na maior feira de livros do mundo já podia ser lido digitalmente. A nova geração de leitores de livros, como o Kindle e o Sony Reader prometem revolucionar o mercado livreiro.
Já tive a oportunidade de experimentar os dois aparelhos. Apesar da boa funcionalidade, admito que ainda não fui fisgado pelo novo formato. Do alto dos meus 37 anos, confesso que ainda acho bastante desconfortável a leitura em telas digitais que imitam o papel . Será que estou ficando velho e desatualizado? Ou será que estou sendo somente preconceituoso e resistente, pois grande parte da minha vida profissional esta relacionada com o livro físico, de papel?
Já questionei vários amigos e profissionais do mercado sobre qual seria o formato de uma livraria do futuro, ou qual seria o Futuro da Livrarias. Quanto mais discuto esse assunto, mais sem resposta fico. Explico melhor…….Há vários anos se fala no fim dos Cds. Apesar de estranho, as vendas deste dito “extinto” produto não param de crescer na Livraria Cultura. Os discos de vinil, os antigo LPs , ou apenas bolachões (para os íntimos) ressurgiram das cinzas e já representam uma fatia significativa da venda total de música.
Será que só estamos vendendo nostalgia? Num futuro próximo, tudo que consumirmos em termos de produtos culturais será um mero código binário? Os livros, CDs e DVDs que ocupam espaços preciosos na estantes de nossas casas, serão substituídos por enfeites , vasos e afins? Nunca mais mostraremos nossas coleções de discos e filmes para nossos amigos, pois elas estarão dentro do HD? Como será a biblioteca e o home theather da casa do futuro? Somente com aparelhos wifi? Será que a Livraria do Futuro não terá mais estantes?