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Bienal do Livro de Curitiba: biografias de Ruy Castro

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Gênero em ascensão no Brasil, a biografia tem movimentado o mercado editorial e revelado bons escritores. Um dos biógrafos brasileiros mais cultuados e prolíficos, Ruy Castro (crédito/foto: Estéfano Lessa), esteve na noite de ontem na Bienal do Livro de Curitiba para falar da difícil tarefa que é resumir, em livro, a vida e a obra de personalidades tão complexas quanto Nelson Rodrigues e Garrincha.

Castro teve a companhia de Arnaldo Bloch, descendente do clã jornalístico que orbitava em torno da revista Manchete. A saga da família, vinda do Leste Europeu depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), é contada por Arnaldo no instigante Os Irmãos Karamabloch, lançado este ano pela Companhia das Letras.

Fã confesso de todos os seus personagens, Ruy Castro disse que admirar a obra do biografado é condição primordial para se iniciar um novo trabalho. “Para começar uma biografia eu tenho que ter, de cara, muita curiosidade e apreço pela obra do personagem. A biografia, para mim, é algo tão compulsivo que quando estou escrevendo, só me dedico a isso. Então prefiro procurar os podres de quem eu gosto”.

Entre a biografia e a memória, fato e ficção, Os irmãos Karamabloch foi, segundo seu autor, uma forma de exorcizar fantasmas do passado. “Escrevi este livro para me libertar da família. Mas, ainda que muita gente diga o contrário, é um livro amoroso em termos literários”, disse Bloch, que também é autor de dois romances.

O título do livro, uma referência aberta à família russa retratada por Dostoiévski em Os Irmãos Karamázov, não é por acaso. A história da família de jornalistas é recheada de catástrofes pessoais e coletivas, disputas, vitórias e derrotas, como um bom romance. “O desafio maior foi manter o equilíbrio entre o fictício e o documental”, disse o autor.

Perguntado sobre a biografia que mais lhe deu prazer, Ruy Castro foi taxativo: “sem dúvida nenhuma a de Carmen Miranda”. Foram cinco anos de total exclusividade para o projeto. Deixei até minhas colaborações em jornais e revistas. Me envolvi completamente, foi uma paixão tremenda”.

Sobre Garrincha, Ruy diz que a idéia da biografia surgiu em um avião, quando rumava para a Europa. “Queria fazer um livro sobre alcoolismo. Mas não queria um personagem derrotado, que tivesse passado a vida na sarjeta. Queria uma pessoa que tivesse vivido a glória, o sucesso e a riqueza. Na hora me veio o nome do Garrincha”.

Mais do que um simples trabalho, as biografias de Ruy Castro são, também, uma forma de diversão e um exercício de busca pela verdade. “Quando pensei no Garrincha, vi que escrevendo sobre ele, eu ia ter a chance de mergulhar na minha infância, aprender o que realmente aconteceu com os jogadores de quem sempre fui fã”.

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