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Archive for the 'Cinema' Category

Baum e a maravilhosa Terra de Oz

oz2Os estúdios da Warner planejam produzir um remake em 3D de “O Mágico de Oz”, filmado com grande sucesso em 1939 pelo diretor Victor Fleming (“E o Vento Levou”), que catapultou Judy Garland ao estrelato. O filme foi baseado no livro “O Maravilhoso Mágico de Oz”, do norte-americano L. Frank Baum, publicado originalmente em 1900. A obra, uma deliciosa fantasia infantil, conta a história da garota Dorothy, que depois de uma tempestade é transportada com seu cachorro Totó para uma terra desconhecida (Oz). Lá encontra, além de homenzinhos estranhos (Munchkins), muita aventura.

Baum, que já era um autor razoavelmente conhecido, colocou a mão no bolso e custeou a primeira edição, vendendo 90 mil exemplares nos dois primeiros anos. O livro tinha ilustrações do genial cartunista W.W. Denslow, que trabalhou com Baum em outros livros da série, dividindo louros e lucros. Uma guerra de egos os afastou, brigaram, e Denslow acabou comprando uma ilha nas Bermudas, onde torrou todo dinheiro ganho nos tempos de “Oz” e acabou morrendo de pneumonia, totalmente esquecido (depois John R. Neill continuou a ilustrar a série). Muitos, ainda hoje, dizem que sem as gravuras e ilustrações de Denslow o livro não seria o sucesso que foi.

A obra de Baum foi inspiração para peças de teatro, musicais da Broadway, operetas, filmes e mais filmes, livros, HQ, sendo até mote político para campanhas eleitorais. O mundo da cultura-entretenimento se ajoelhou à fantasia de Dorothy e seus amigos, o Homem de Lata, o Espantalho e o Leão (sem esquecer a vilã, a Bruxa Má, que tenta impedi-la de voltar para casa). Baum começou a escrever muito cedo, mas antes do sucesso, como ocorre com muitos escritores, enveredou por vários caminhos tendo sido jornalista, empresário, autor teatral (uma de suas peças, “Maid of Arran”, chegou a obter sucesso), mas nunca deixando de ser um entusiasta da literatura infantil (na época, esse tipo de livro tinha uma abrangência bem diferente da de hoje). Casou-se em 1882 com Maud Gage, filha de Matilda J. Gage, uma proeminente mulher, ativista de várias causas políticas, como o sufrágio universal, que era totalmente contra o matrimônio de sua filha com um aventureiro sonhador como Baum.

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Um sonho possível (The blind side)

blindside_03Confesso que quis ver o filme um dia depois do Oscar apenas pela curiosidade de analisar a interpretação da atriz mais rentável de 2009. Sandra Bullock tinha acabado de faturar a estatueta de Melhor atriz e eu, muito desconfiada, fui ver com meus próprios olhos se ela era realmente merecedora do prêmio. O veredito final: uma premiação um pouco precipitada.

Sandra faz o papel de Leigh Anne uma ricaça branca, com uma família perfeita, consciente de seus valores cristãos que muda sua vida quando conhece Big Mike, um negro obeso, de QI baixíssimo e filho de uma viciada. Sem pensar duas vezes, a mãe de família tira o menino das ruas e o leva para sua casa, dando-lhe cama, comida, roupa e tudo o que ele nunca teve: uma família estruturada e carinhosa.

A atriz não arrasa na atuação, mas traz leveza e naturalidade a personagem. Não há grandes momentos emocionantes, até porque o filme é bastante raso e não carrega na emoção e nem na comédia, mas tem seu mérito. É um papel diferente do que ela está acostumada a fazer e parece ter sido fiel ao que foi proposto pelo diretor John Lee Hancock. Talvez sua interpretação tenha sido um pouco prejudicada justamente pela atmosfera insossa do filme.

Porém, não é de todo ruim. O diretor fez uma contextualização muito boa da política atual, na qual os republicanos se colocam como vítimas da era “Obamista” e dizem sofrer com o racismo contra os brancos. John Lee também utilizou a relação do caçula da família com o grandão, de forma agradável e inteligente. Uma ferramenta excelente para gerar empatia do público.

No fim, o filme se foca em uma história de amor altruísta, por isso é compreensível o sucesso que fez nos Estados Unidos e que, provavelmente, fará no Brasil. É fácil sair do cinema com aquela sensação de dever cumprido devido ao desfecho extremamente feliz, e o melhor, verídico.

Sérgio Bianchi fala sobre “Os Inquilinos”

sergio-bianchi-blog1Não espere tropas, gritos ou tiros. A arma que o controverso diretor Sérgio Bianchi (Cronicamente Inviável; Quanto Vale ou É por Quilo?) prefere em seus filmes é outra. Em mais de 30 anos de profissão, ele tem utilizado a contradição, muita crítica e a ironia para dar forma às produções marcadas por conflitos sociais. Não à toa se transformou em figura polêmica e provocadora do cinema nacional, assim como seus próprios filmes. “Qualquer arte boa é provocadora. É a que sei fazer, a que me dá prazer e a que me parece verdadeira”, diz.

É nesta trilha que estreou Os Inquilinos – Os incomodados que se mudem. O longa foi filmado na Brasilândia, periferia paulistana, e conta a história de uma família de classe média baixa que tem a rotina alterada com a chegada de novos vizinhos criminosos. Um retrato delicado e sufocante da violência, que faz lembrar Jean-Paul Sartre em sua máxima “o inferno são os outros”.

O roteiro, assinado pelo próprio Bianchi e por Beatriz Bracher, é baseado no conto homônimo de Vagner Geovani Ferrer, aluno de um curso do projeto Educação para Jovens e Adultos (EJA). O filme recebeu os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Atriz Coadjuvante no Festival do Rio em 2009. Já no V FestCine Goiânia 2009 recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro. No elenco nomes importantes como Cássia Kiss (premiada pelo papel no Festival do Rio 2009), Caio Blat, Humberto Magnani, Ailton Graça e Ana Lucia Torre. O casal protagonista é interpretado por Marat Descartes e Ana Carbatti.

Em paralelo à estreia nos cinemas, a Versátil Home Video lançou, na Livraria Cultura, o box Filmes de Sérgio Bianchi, caixa com 5 DVD’s que traz todos os longas-metragens do cineasta, além do premiado média-metragem Mato Eles? (1982), considerado um marco do cinedocumentário brasileiro, e dos curtas-metragens Omnibus (1972) e A Segunda Besta (1977), ambos inspirados em contos do livro Bestiário, do escritor argentino Julio Cortázar; e Divina Previdência (1983).

Em entrevista à Revista da Cultura deste mês, Sérgio Bianchi falou do “cinema provocação” e de seus filmes preferidos. O diretor também recebeu, em sua casa, a equipe do Blog da Cultura para um papo sobre “Os Inquilinos”, além do momento atual do cinema brasileiro. Ele contesta a crítica que o considerou mais calmo no novo filme, e, “culpa” o tricô pela pseudo tranquilidade. Na entrevista, não faltaram críticas, bom-humor, e, ironias mantendo sua despojada característica de provocador. Confira.

Na Cultura, Mostra 100 Anos Akira Kurosawa

Um dos cineastas japoneses de maior reconhecimento no Ocidente, Akira Kurosawa completa seu centenário no próximo dia 23 de março. Diretor perfeccionista, com notável senso estético e exímio talento de unir na tela as técnicas narrativas ocidentais à tradição espiritual japonesa, Kurosawa deixou em sua obra cinematográfica um profundo e reflexivo estudo sobre a natureza humana.

Em sua homenagem, a Cultura do Shopping Market Place promove em domingos do mês de março e abril, sempre às 17h, a Mostra 100 anos Akira Kurosawa, com a exibição de importantes filmes do mestre. No site da Livraria você confere as datas e os títulos.

Você sabe o que é plano-sequência?

Diz a Wikipedia que o plano-sequência é um plano [cena, tomada] que registra uma ação inteira, sem cortes.

Mais abaixo dessa definição, vem o conceito do teórico Jacques Aumont, que diz ser plano-sequência não só o plano longo, mas aquele que abarca e se articula para mostrar uma “sucessão de acontecimentos”, com diálogos, mudanças de cenários…

Já o diretor Juan José Campanella, do filme argentino El secreto de sus ojos, demonstra o plano-sequência assim.

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Entendeu?

Via Trabalho Sujo

Utopia e barbárie, novo doc de Silvio Tendler

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Na sétima série do meu ensino fundamental, lá em 1997, a professora de história passou um bateria de trabalhos em grupo que complementariam as aulas que ela tinha se esmerado tanto para dar. Àquela série, já se dava aos alunos do meu colégio jesuíta o direito de escolher com quais outros colegas gostaríamos de atuar nestar apresentações. Formou-se então um grupo parada-dura, que reunia os guris mais bagunceiros e conversadores da sala. Pela nossa fama, estávamos fadados ao fracasso. “Eram os considerados pelo regime como ‘os irrecuperáveis’”.

Não sei que força foi capaz de alimentar nossa concentração e dedicação, mas acredito que só o tema foi suficiente: ganháramos a incumbência de falar a respeito da ditadura brasileira, sua influência no dia-a-dia, seu reflexo no futuro que era o nosso presente. Aquilo foi uma centelha de descoberta da nossa história recente, mas que dizia respeito a nossos pais, tios, primos. A uma geração anterior à nossa, mas tão próxima. O ano era 1997 e nosso grupo, impelido deus sabe pelo quê, levou um 10, com louvor.

O novo documentário de Silvio Tendler, que chega aos cinemas em abril, mostra como tudo aquilo que a ditadura, o “capitalismo”, o “neoliberalismo” quiseram sufocar - não só no Brasil -, mas em todos os cantos deste mundo onde aconteceu uma revolução da “esquerda”, era permeado por uma absoluta e irrestrita utopia. Acompanhada dela, estava a barbárie da repressão e dos regimes que se diziam igualitários e democráticos/revolucionários - como Tendler faz questão de não deixar furtar.

A impressão que se fica, ao fim da longa e até cansativa película, é que a utopia é parte necessária do sonho que é viver. A projeção de um sistema político diferente do vigente, uma nova maneira de abordar a “luta de classes”, as necessidades das pessoas, a resistência, os reflexos de 68 no mundo… tudo isso, no entanto, cai diante da barbárie - que já teve muitas caras, uma de cada vez, e que hoje possui inúmeras ao mesmo tempo.

Soderbergh saúda Preminger

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Acaba de sair em DVD O Desinformante (The Informant, 2009), dirigido por Steven Soderbergh e estrelado por Matt Damon. O filme é baseado em fatos. Damon vive Mark E. Whitacre, químico executivo da agroindústria ADM que se envolveu, no início dos anos 90, em esquema de espionagem do FBI para investigação de crime de formação de cartel por parte da empresa onde trabalhava. Além da história ser muito interessante e o desenrolar dos fatos prender a gente, chama a atenção o cuidado com figurinos, cenários e música. As roupas dos personagens e locações criam uma textura opaca, meio cinza e ocre, que permeia as relações dos burocratas das grandes corporações globais. A trilha sonora é do premiado Marvin Hamlisch, que entre outras peças marcantes compôs a música de A Chorus Line nos anos 70. Como bem definiu Christopher Coleman, no site Tracksounds!, trata-se de uma história análoga ao jazz por ser complexa porém divertida de se ver e ouvir. Mas por que diabos citei Otto Preminger? Porque como bem lembrou o Guilherme Inhesta, também presente aqui nestas paragens, o poster do filme e a capa do DVD trazem à memória o cartaz de Anatomia de um Crime, inclusive postei os dois aí em cima para vocês conferirem. Sem falar que a música do filme de Preminger foi composta por Duke Ellington. Aí já vira assunto pra outro post!!!

Postado também em Your day breaks, your mind aches, meu blog. Visitem!

Alexandre “Depardieu” Dumas

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Depois de Tolstói (A Última Estação), estreou nos cinemas “L’Autre Dumas” (O Outro Dumas), com direção do francês Safy Nebbou, e Gérard Depardieu interpretando o escritor Alexandre Dumas (1802-1870), autor de “Os Três Mosqueteiros”, “O Conde de Monte Cristo” e “A Rainha Margot”, entre outros romances que encantaram (e encantam) os leitores. A indústria cinematográfica gosta de divulgar seus filmes com algum ti-ti-ti para que possa causar polêmica e com isso divulgar o lançamento. Desta vez o oba-oba é causado por Depardieu ser branco de olhos azuis e Dumas ter sido mulato (era neto de um ex-escravo do Haiti, sendo seu pai um general do Exército francês chamado na época de “negro caribenho”). Nada que justifique afetação maior, já que “escureceram” o ator, jogaram-lhe uns cachinhos e pronto. Atores negros e ativistas criticaram a escolha. O que importa mesmo é saber se o filme é bom, já que Depardieu sempre foi um excelente ator. Enquanto o filme não chega nas telas brasileiras, confira o trailer abaixo.

Mais um clássico do cinema na Cultura

lugaraosolNo próximo dia 23 chega às nossas lojas a primeira edição brasileira em DVD do filme Um Lugar ao Sol, o clássico de 1951 dirigido por George Stevens e protagonizado por Elizabeth Taylor e Montgomery Clift. O filme ganhou seis Oscar® da Academia (incluindo Melhor Diretor e Melhor Roteiro) e com certeza era aguardadíssimo pelos cinéfilos e amantes do cinema clássico em geral. A edição em DVD é exclusiva da Livraria Cultura.

Malu Mader fala de sua experiência como diretora

malu-maderO que forma um cineasta? Uns apostam na técnica, alguns, na vocação, outros, na experiência humana. Habituada a estar em frente às câmeras, com mais de 25 anos de atuação, Malu Mader inverteu os papéis e estreou, em 2008, Contratempo, seu primeiro filme como diretora, em parceria com Mini Kerti. A atriz, que não passou ilesa à pergunta, não titubeou em responder: “O que influencia meu trabalho de cineasta é a vida”. Ou, em outras palavras, o olhar que se tem sobre ela. “Não é só questão de técnica, recursos ou tema, e sim de forma. Se você tiver um olhar original, inteligente, amoroso ou, quem sabe, genial, vai fazer a diferença”, explicou Malu na edição desse mês da Revista da Cultura (leia matéria completa aqui), além de apresentar seus filmes e diretores preferidos.

Abaixo, ouça um trecho da entrevista de Malu Mader ao Blog da Cultura.



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