12/03/2010   RSS posts: 982comentários: 2.174 updaters: 558
Bem-vindo(a) ao Blog da Cultura. Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional - Tel.: (11) 3170-4033 / contato@livrariacultura.com.br

Archive for the 'Gastronomia' Category

Os comes e bebes nos velórios das Gerais

comes-e-bebes-nos-velorios-das-gerais2
A ligação entre comida e morte pode parecer inusitada, mas, em Minas Gerais, os comes e bebes nas cerimônias fúnebres são uma tradição. Quem conhece bem este costume é a mineira de Uberaba, Déa Rodrigues da Cunha Rocha, que buscando preservar as receitas tradicionais de antigas cozinheiras, chegou a um apanhado de causos engraçados ocorridos em velórios. Contradição? Nem tanto… Criada em fazenda e quituteira de mão cheia, ela explica como uma pesquisa sobre comida mineira acabou em velório:


“Comecei a pesquisar as receitas antigas e viajava muito por aquele interiorzão mineiro, parado no tempo. Entre uma receita e outra surgiram relatos bem divertidos. E, em um belo dia, percebi que tinha uma porção de histórias malucas em velórios ligadas à comida. Mineiro é um povo diferente, muito atrapalhado e engraçado. E em velórios feitos nas fazendas, as pessoas geralmente passam a noite. Com isso, vem a amabilidade do dono do defunto que alimenta as pessoas, dando um relativo conforto para os amigos que foram fazer companhia naquela hora difícil. Nem sempre tão difícil porque há coisas muito engraçadas. Parece que a morte fica em segundo plano, porque tem aquele congraçamento de pessoas, que quase não se encontram”, conta.

A experiência de Déa, que é formada em Letras e em Direito, resultou na publicação do livro “Os Comes e Bebes Nos Velórios das Gerais e Outras Histórias“, um apanhado de 18 histórias, todas verídicas, da região centro-oeste de Minas Gerais, acompanhadas – é claro – de 21 receitas de broas, biscoitos, pães de queijo, docinhos… “Especialmente as quitandas, que são aquelas comidas que servem para se tomar com café ou uma pinguinha acompanhada de caldo de feijão. O infeliz mal morreu e já tem alguém correndo atrás de uma galinha no quintal para fazer uma coxinha, uma empada”, brinca.

Continue lendo: More »

Padarias da memória e do coração

padaria1Seis horas da manhã. Banho, roupa, carregar trabalho de ontem que ficou pra hoje, não esquecer o celular, elevador, carro, trânsito, horário, checar agenda, mais trânsito, chuva, sinal fechado, horário, falta pouco, até que enfim, cheguei… Padaria!

Milhões de pessoas ao redor do mundo, em qualquer metrópole, em qualquer fuso horário, dia após dia, pobres, ricos, mulheres, homens, quase todos seguem um pouco do ritual acima, e logo cedo, antes de uma árdua giornata di lavoro, adoram invadir sua padaria preferida. Seja porque ela é perto de casa, ou perto do trabalho (ou bem longe dele), ou porque seu pão com manteiga lembra uma tela de Rafael, ou porque ao beber seu café com leite ouvimos uma Cantata de Bach, ou ainda porque a turma sempre está por lá.
Não importa o motivo, a padaria preferida é como um santuário, um altar onde comungamos todos os dias.

Padarias fazem parte da vida, seja pela manhã, no almoço, ao final da tarde para o último café, nos fins de semana, com os amigos, com o cachorro, ou na madrugada quando não fecham e estão sempre prontas a ajudar notívagos de ressaca. A padaria compõe o cenário da tradição humana desde o final do século XIX. Já o pão são mais de 6 mil anos!

Faça uma conta simples: pegue qualquer cidade, aldeia ou povoado com mais de 10 mil habitantes, de preferência no canto Ocidental do planeta, e veja se não tem ao menos uma padaria. Talvez você não encontre uma igreja, mas padaria não falha, sempre está lá. As “melhores” dependem sempre, e cada vez mais, do gosto do consumidor. Dificilmente não temos uma, “cravada com sabor de paixão”, em nossa memória.

Continue lendo: More »

Ana Maria Braga na Cultura

cnt_ext_2100852

Para comemorar uma década de seu programa na Globo, foi lançado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional o livro Mais você 10 anos. Fila grande, bastante animada com as conversas boas das manhãs de sábado de sol e  a ansiedade dos fãs para encontrar de perto Ana Maria Braga. Depois do alvoroço da chegada, cercada por seguranças e incontáveis câmeras de tantas mídias ávidas pelo registro do momento, Ana inicia a sessão de autógrafos. Sempre simpática, atenciosa de verdade com cada um que chegava para levar uma lembrança sua para casa. Algumas pessoas carregavam muitos livros, e foi dedicatória para a mãe, a sogra, irmã… Cheia de delicado carisma, a apresentadora ganhou mais fãs, e muitos leitores.

UPDATE:  No vídeo, o depoimento feliz de quem recebeu o primeiro autógrafo, de um padeiro que já levou receitas ao Mais você, e de Viviane de Marco, a jornalista que organizou e também assina os textos do livro, aliás, um belo trabalho. Acompanhe:

Revista Gourmet chega ao fim

Helena, uma amiga e colaboradora do blog Gourmet, fez um post bacana e achei que valia replicar aqui. Para quem gosta de gastronomia e já leu os livros de Ruth Reichl, segue a notícia:

gourmet-magazine-2Para a surpresa de todos, a famosa revista Gourmet, editada por Ruth Reichl, chegará ao fim após a edição de Novembro. O furo foi dado pelo site do NY Times e pelo Blog do Paladar (no Brasil) já que o anúncio oficial só deve ser feito amanhã pela editora da revista, a Condè Nast. Conhecida por lançar os mais famosos jornalistas gastronômicos dos Estados Unidos, a revista chega ao fim depois de 68 anos de vida.

A decisão foi tomada após um estudo feito pela consultoria McKinsey & Company que além disso, também sugeriu um corte de verba de 25% para diversas revistas da editora. Para mim, que adoro a revista e sou leitora do site e da newsletter, é uma grande pena!

Café, café…

cafeFrio agudo, café. Solidão cortante, café. Festa, festança ou festinha, lá está o café. Trabalho duro, só com café. Falta de vontade, café, falta de tempo, café. Falta de dinheiro, cafezinho, excesso de pressão, dá-lhe café. Medo de avião: “vou tomar um café e já volto”. Dor de estômago, café demais. Perda do sono, café demais. Sexo devagar, café de menos.

Paquera no shopping, “que tal um café?”. Fila no banco, fila na feira, fila no supermercado: café frio. Médico atrasado: “a senhora aceita mais um cafezinho?”. Crise econômica mundial, não no café (crescimento anual de consumo: 2%). Crise econômica pessoal: “Querida, vamos ter de cortar até no café”. Presente de casamento, cafeteira, presente de aniversário, bolo de café, presente de separação conjugal harmoniosa: “fique tranqüila, a máquina de café fica”.

História do Brasil, café. Cor da moda, café, cor daquela gracinha porta-bandeira, café. Leitura inesquecível, “La Borra del Café”, livro alusivo, “Aroma de Café”, literatura instrutiva, “História do Café”.

Continue lendo: More »

Pastel, Mozart e outros petiscos

“Como? Você não gosta de pastel? Desculpe, foi um prazer em conhecê-lo, mas não estou preparada para um relacionamento sem pastel. Bye!”

Pastéis de feira livre! Como são bons! Inesquecíveis os pastéis da feira que beira minha casa. Não converso com ninguém que não ache os pastéis da “sua” feira divinos. Será que são as mesmas pessoas que produzem e vendem? Será que a massa é a mesma? Será que é uma única família? Afinal, os da minha feira são vendidos por japoneses, ou filhos de, ou primos de, ou com olhos de.

O de pizza eu dispenso, mas o de carne, namoro. A semana não é semana sem um de carne. Todas às quartas espero a feira abrir, conto os minutos para avançar até a banca das “meninas do pastel” (todas de olhinhos puxados), e lá estou eu, com aquela tentação calórica nas mãos. Não importam as calorias, depois me puno, me privo, me penitencio, me comprimo entre saladas e sopinhas. Não importa, mas na quarta-feira, não tem jeito. “Meu reino por um pastel”. Ele é uma ciência, um milagre. Copiado até nos mais importantes estabelecimentos da boemia carioca, junto a seus petiscos e comidas populares. Tão admirados que deixaram os botequins e foram parar em livro! Vinte pratos e petiscos provados, comentados e ilustrados. Quem resiste? Mas, de todos eles, o pastel de carne… ah! é minha sagração! Vê-los fritar, então…

Continue lendo: More »

EEEP: O que é cozinha brasileira?

(post de Wagner Brenner, via Gourmet UoD)

“Rolou ontem o “Entre Estantes E Panelas - A Gastronomia de Pensar”, na Livraria Cultura. Eu fui. Fui de curioso, já que a minha contribuição com o universo culinário fica mesmo por conta do comer. E mal (tenho paladar infantil, enfim, tava rezando pra não me descobrirem lá). Mas o fato é que mesmo para um outsider como eu foi muito legal. O tema era cozinha brasileira e felizmente a abordagem foi a gastronômica mesmo, envolvendo antropologia, tradição x inovação, técnicas, etc. Coisas que também discutimos por aqui todos os dias, o que só comprova que somos todos criadores, misuradores e xeretas pra caramba, cada um no seu galho, mas na mesma grande árvore. Serão 12 encontros e o nosso Gourmet UoD é o Blog Oficial do evento. O próximo é em julho, eu aviso quando chegar mais perto. E como diria o Steve Jobs (aproveitando o clima de WWDC), “stay hungry”. Fiz um clipzinho.”

http://www.vimeo.com/5080042

Chocolate: a invenção das invenções!

kellydesouza-2007

Chocolate, chocolate! Quem inventou isso? Quem fez essa bondade com a humanidade?
Saio de casa e levo uma barrinha, fico em casa e a barrinha me persegue. Leio um livro, vem um capítulo delirante, abro na página onde uma profusão de frases e parágrafos beiram ao clímax. O que faço diante desse grandioso momento? Chocolate. Isso mesmo, “saco” um bombom e aproveito cada palavra saboreando cada mordida. Se o livro for bom… quilos de chocolate.

Dizem que o danado nasceu no México, ou nas Américas, ou da mente de algum monarca do século XVII, xiita por prazer. Dizem que faz bem, dizem que faz mal, dizem que o excesso faz mal, mas não dizem que não dá para viver sem ele ou sem o excesso.

kellydesouza-pierre-bruxelasMaravilhada com as calçadas, ruas e guetos de Bruxelas, viro à esquerda e caio na Place Du Grand Sablon, um deslumbre. Deslumbre maior quando vejo uma loja de esquina, com uma pequena placa “Pierre Marcolini - House of Chocolate”… Dizem que um dos melhores chocolates do mundo! Tensão, pernas tremem, sento no primeiro banco que encontro na praça e fico ali me policiando. Entro, não entro? Como não entrar? Subi as escadas daquela catedral mundial do chocolate, junto com turistas, chocólatras, crianças, ensandecidos, apopléticos chocaleteiros, madames choco-manchadas, e todos comprando, e comendo ao mesmo tempo, todos bem vestidos, bem nascidos, bem nutridos e, claro, bem-aventurados por estarem ali. Todos com algo em comum: a fascinação por chocolate. kellydesouza-godivaAs vitrines me agarravam, me puxavam, centenas de tipos de bombons, barras e biscoitos me perseguiam pela loja. Lutava contra tudo e contra todos, contra minhas roupas que podiam não entrar, contra minha pele que poderia desmanchar ao sabor do cacau, contra minhas forças econômicas que implicavam: e o presente dos tios? e a Ópera de amanhã? e os chapéus das esquinas da Grand Place? Nada me impediu de sair de lá mais feliz, mais corada, mais emocionada, mais satisfeita por ter saboreado alguns dos chocolates mais cortejados do mundo. Ando vinte metros e leio “Godiva – Chocolatier”… Outra cruzada para esta “templária” dos chocolates. Outra batalha, e entre mortos e feridos, lá se foram mais Euros, mais prazeres e o imenso desejo de nunca mais daquela praça sair.

Chocolates, o que afinal vocês querem de mim?

Continue lendo: More »

Gilberto Freyre: O Brasil açucarado

resumo-gilberto_freyreEm 1939, Gilberto Freyre publicou um livro que, à epoca, fora alvo de críticas da ala conservadora da sociologia, tachado como um assunto de pouca importância. Mal sabiam eles que Açúcar - Uma sociologia do doce se tornaria, ao longo de seus 70 anos, referência no entendimento do mosaico que é a sociedade brasileira. Tão importante quanto sua obra mais comentada, Casa Grande e Senzala, esse livro remenda três influências distintas de nossa gastronomia - indígena, africana e portuguesa - desde os tempos de Colônia, para provar que a miscigenação vai além das relações sexuais e também está presente em cada refeição. Freyre debruçou-se na árdua - e apetitosa - tarefa de recolher receitas regionais do Nordeste, principal núcleo de produção desse  ingrediente e então com valor de troca tão alto quanto o ouro.

A mistura trouxe à mesa doces com nomes curiosos, inspirados em sentimentos (ciúmes, bolo dos namorados), aspectos religiosos (manjar-do-céu, papos-de-anjo), nos engenhos de onde surgiram (Guararapes, São Bartolomeu) e tantos outros. Bateu a  fome?



Close

Close