
A ligação entre comida e morte pode parecer inusitada, mas, em Minas Gerais, os comes e bebes nas cerimônias fúnebres são uma tradição. Quem conhece bem este costume é a mineira de Uberaba, Déa Rodrigues da Cunha Rocha, que buscando preservar as receitas tradicionais de antigas cozinheiras, chegou a um apanhado de causos engraçados ocorridos em velórios. Contradição? Nem tanto… Criada em fazenda e quituteira de mão cheia, ela explica como uma pesquisa sobre comida mineira acabou em velório:
“Comecei a pesquisar as receitas antigas e viajava muito por aquele interiorzão mineiro, parado no tempo. Entre uma receita e outra surgiram relatos bem divertidos. E, em um belo dia, percebi que tinha uma porção de histórias malucas em velórios ligadas à comida. Mineiro é um povo diferente, muito atrapalhado e engraçado. E em velórios feitos nas fazendas, as pessoas geralmente passam a noite. Com isso, vem a amabilidade do dono do defunto que alimenta as pessoas, dando um relativo conforto para os amigos que foram fazer companhia naquela hora difícil. Nem sempre tão difícil porque há coisas muito engraçadas. Parece que a morte fica em segundo plano, porque tem aquele congraçamento de pessoas, que quase não se encontram”, conta.
A experiência de Déa, que é formada em Letras e em Direito, resultou na publicação do livro “Os Comes e Bebes Nos Velórios das Gerais e Outras Histórias“, um apanhado de 18 histórias, todas verídicas, da região centro-oeste de Minas Gerais, acompanhadas – é claro – de 21 receitas de broas, biscoitos, pães de queijo, docinhos… “Especialmente as quitandas, que são aquelas comidas que servem para se tomar com café ou uma pinguinha acompanhada de caldo de feijão. O infeliz mal morreu e já tem alguém correndo atrás de uma galinha no quintal para fazer uma coxinha, uma empada”, brinca.
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Seis horas da manhã. Banho, roupa, carregar trabalho de ontem que ficou pra hoje, não esquecer o celular, elevador, carro, trânsito, horário, checar agenda, mais trânsito, chuva, sinal fechado, horário, falta pouco, até que enfim, cheguei… Padaria!

Frio agudo, café. Solidão cortante, café. Festa, festança ou festinha, lá está o café. Trabalho duro, só com café. Falta de vontade, café, falta de tempo, café. Falta de dinheiro, cafezinho, excesso de pressão, dá-lhe café. Medo de avião: “vou tomar um café e já volto”. Dor de estômago, café demais. Perda do sono, café demais. Sexo devagar, café de menos. 

Maravilhada com as calçadas, ruas e guetos de Bruxelas, viro à esquerda e caio na Place Du Grand Sablon, um deslumbre. Deslumbre maior quando vejo uma loja de esquina, com uma pequena placa “Pierre Marcolini - House of Chocolate”… Dizem que um dos melhores chocolates do mundo! Tensão, pernas tremem, sento no primeiro banco que encontro na praça e fico ali me policiando. Entro, não entro? Como não entrar? Subi as escadas daquela catedral mundial do chocolate, junto com turistas, chocólatras, crianças, ensandecidos, apopléticos chocaleteiros, madames choco-manchadas, e todos comprando, e comendo ao mesmo tempo, todos bem vestidos, bem nascidos, bem nutridos e, claro, bem-aventurados por estarem ali. Todos com algo em comum: a fascinação por chocolate.
As vitrines me agarravam, me puxavam, centenas de tipos de bombons, barras e biscoitos me perseguiam pela loja. Lutava contra tudo e contra todos, contra minhas roupas que podiam não entrar, contra minha pele que poderia desmanchar ao sabor do cacau, contra minhas forças econômicas que implicavam: e o presente dos tios? e a Ópera de amanhã? e os chapéus das esquinas da Grand Place? Nada me impediu de sair de lá mais feliz, mais corada, mais emocionada, mais satisfeita por ter saboreado alguns dos chocolates mais cortejados do mundo. Ando vinte metros e leio “Godiva – Chocolatier”… Outra cruzada para esta “templária” dos chocolates. Outra batalha, e entre mortos e feridos, lá se foram mais Euros, mais prazeres e o imenso desejo de nunca mais daquela praça sair.
Em 1939, Gilberto Freyre publicou um livro que, à epoca, fora alvo de críticas da ala conservadora da sociologia, tachado como um assunto de pouca importância. Mal sabiam eles que