Uma feliz estudante brasileira, bem ou mal intencionada, doce, corajosa, retrato de uma geração deslumbrada com o exibicionismo, vai para Universidade com uma minissaia e recebe uma colossal manifestação de volúpia. Espanto, descontrole, medo, baixaria, polícia, jornais, capa de revista, “garota-mídia-2009”, debate sobre direitos da mulher, reitoria medieval, decisão desproposital, minissaia expulsa, ex-expulsa, mundo louco, repetitivo.
Para uma (ainda) elegante senhora de 75 anos, moradora de Surrey (sul da Inglaterra, perto de Londres), concentrada em escrever dois livros sobre sua vida, abrir os jornais da semana passada e ver o frisson brasileiro por conta de uma minissaia deve ter sido hilário. Jornal na mão, bebericando uma xícara de english tea, a dama deve ter sentido uma faísca de orgulho, e talvez até alguma emoção maior. A estilista Mary Quant, que na década de 60 inventou a minissaia, deve ter se jubilado quando 45 anos depois de sua invenção esta ainda provoca pequenas catarses mundos afora.
A inglesa Mary Quant, filha de um professor galês, ex-estudante de arte obcecada pela cor (estudou Belas-Artes no Goldsmith’s College), não foi só a responsável por subir alguns centímetros da saia. Mais do que isso, Quant “inventou” o joelho. Esse membro, localizado entre o fêmur e a tíbia, estava segredado, escondido, contido, esperando o seu momento de aparecer, de se despir e enlouquecer a tribo masculina.
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