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Archive for the 'Moda' Category

Tour virtual pelas vitrines de Natal em NY

holidaywindowssaksa (por Paula Rizzo, via UoD)

Confiram no PSFK, na Vanity Fair, na TimeOut e no BizBash, alguns posts com muita inspiração sobre o que foram os destaques nas vitrines de Natal em Manhattan este ano (alguns dos posts incluem vitrines de outras grandes metrópoles). A fotinho acima é do Saks Fifth Avenue, da vitrine que tem como tema o livro infantil “Twinkle, Twinkle Little Flake”. Abaixo vocês podem conferir um vídeo desta vitrine: YouTube Preview Image Aproveito para desejar a todos um ótimo Natal e um grande início de 2010. Volto a postar aqui no comecinho de janeiro !

Roupa de artista

- o vestuário na obra de arte, de Cacilda Teixeira da Costa é um livro excepcional.
Bonito de ver, bom de ler, didático e acessível com a devida profundidade que o paralelo entre Moda e Arte pede. A autora revela a raiz comum desse DNA que diz tanto da gente. É um passeio por tempos, ideais e costumes.

Assista aqui ao depoimento da pesquisadora sobre este seu memorável trabalho, um aperitivo do banquete que é o livro.

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Mary Quant, a mulher que inventou o joelho

mary6Uma feliz estudante brasileira, bem ou mal intencionada, doce, corajosa, retrato de uma geração deslumbrada com o exibicionismo, vai para Universidade com uma minissaia e recebe uma colossal manifestação de volúpia. Espanto, descontrole, medo, baixaria, polícia, jornais, capa de revista, “garota-mídia-2009”, debate sobre direitos da mulher, reitoria medieval, decisão desproposital, minissaia expulsa, ex-expulsa, mundo louco, repetitivo.

Para uma (ainda) elegante senhora de 75 anos, moradora de Surrey (sul da Inglaterra, perto de Londres), concentrada em escrever dois livros sobre sua vida, abrir os jornais da semana passada e ver o frisson brasileiro por conta de uma minissaia deve ter sido hilário. Jornal na mão, bebericando uma xícara de english tea, a dama deve ter sentido uma faísca de orgulho, e talvez até alguma emoção maior. A estilista Mary Quant, que na década de 60 inventou a minissaia, deve ter se jubilado quando 45 anos depois de sua invenção esta ainda provoca pequenas catarses mundos afora.

A inglesa Mary Quant, filha de um professor galês, ex-estudante de arte obcecada pela cor (estudou Belas-Artes no Goldsmith’s College), não foi só a responsável por subir alguns centímetros da saia. Mais do que isso, Quant “inventou” o joelho. Esse membro, localizado entre o fêmur e a tíbia, estava segredado, escondido, contido, esperando o seu momento de aparecer, de se despir e enlouquecer a tribo masculina.

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Didier Grumbach e o discurso da globalização

didier-2Direto do panteão da moda, Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa da Costura, esteve aqui na Livraria Cultura para uma aula magna sobre história da moda, por conta do lançamento da edição em português nacional do seu livro Histórias da Moda, publicado na França pela primeira vez em 1993 e reeditado em 2008. Didier resgata os momentos históricos da moda ao longo do século 20 e, no posfácio, analisa os efeitos da globalização no setor apontando caminhos que os criadores trilham dentro deste contexto. Para Didier não há mais moda indentificada como sendo 100% de uma país. O caminho dos criadores deste século 21 é misturar referências culturais de diferentes locais para explorar sua criatividade ao máximo. “As novas marcas, cidadãs do mundo, não podem mais ser 100% francesas ou brasileiras. Assim não existe mais moda francesa ou italiana. Não vai haver moda chinesa ou brasileira. A criação é o inexplorado”, diz no livro. Assim como ocorre em todas as outras áreas, Didier afirma que é requisito fundamental o contato de um estudante de moda brasileiro, por exemplo, com outras culturas como uma forma de ampliar seu repertório e ganhar o mundo. O evento fez parte do início das atividades do São Paulo Fashion Week, que acontece  a partir da quarta-feira (17), na Bienal do Ibirapuera. Como na última edição, a Livraria Cultura novamente é parceira e levará algumas atrações para seu espaço (mais em post específico).

SPFW: Com a palavra, seu criador.

paulo_borges_palestra2_melissa-haidar-img_0026.jpgPaulo Borges confere todo seu charme, sua simpatia e seu bom humor para o arremate perfeito da V Semana de Moda e Cultura, da Livraria Cultura. Idealizador da SPFW, conta que começou sua carreira aos 18 anos como assistente de redação de Regina Guerreiro – diretora da revista Vogue por 14 anos – e com ela aprendeu tudo o que sabe sobre esse universo. “A moda é um gerador de empregos, um estimulante para o crescimento do mercado e um fomentador de auto-estima”, garante o diretor artístico do maior evento relacionado à área no país. Com um custo de produção que beira a casa dos R$ 6,5 milhões por edição, a SPFW é uma plataforma com objetivos claros, para serem atingidos ao longo de 30 anos. Primeiro, fazer com que o Brasil entenda o que é um calendário de moda. Depois, internacionalizar as realizações brasileiras. E, por último, qualificar a criação, o mercado e a inovação. As conquistas prevêem resultados consistentes e definitivos, mesmo que sejam necessárias três décadas para tal.

Herchcovitch: o homem do desfile

semoda2.jpgNinguém melhor do que Alexandre Herchcovitch para falar sobre crescimento e imagem de marca. Na companhia de seu fiel escudeiro João Rodolfo Queiroz, inebriou a platéia de mais de 200 pessoas no último sábado, sexto dia de programação da V Semana de Moda e Cultura promovida pela Livraria Cultura. A dupla dinâmica, que trabalha lado a lado há uma década, elencou pesquisa, desenvolvimento, comunicação e distribuição como sendo os pilares de um processo construtivo, que deve ser contínuo. “O produto é um reflexo da história da marca e do tema”, explica Herchcovitch que tira os códigos e decifra imagens das coleções que coloca nas passarelas para poder levar a essência de suas criações para o grande público de uma forma mais diluída, mais sutil, favorecendo seu entendimento. A marca, que conta com R$ 5 milhões em mídia espontânea por desfile, reserva surpresas em sua gama de produtos, que ficará mais perfumada com a chegada de Urban Tropicália, uma das seis fragrâncias que serão assinadas por seis grandes nomes da moda mundial. Aguardem!

“Um romântico incorrigível”

walter_rodrigues_palestra2_melissa-haidar-img_9057.jpgAssim se define Walter Rodrigues. O estilista encantou e divertiu a platéia que lotou o Teatro Eva Herz no quarto dia de programação da V Semana de Moda e Cultura. O sem-número de lugares diversos e situações inusitadas por que passou, arrancaram suspiros e gargalhadas ao longo dos quase 90 minutos de bate-papo. Nem vimos o tempo passar! Falando sobre a contemporaneidade de sua obra, Walter referenciou os seis pilares que fundamentam suas criações: os anos 30 de Vionnet, os 70 de Pierre Cardin, a Antropologia reconhecida em lugares como o Iêmen, a dualidade Masculino vs. Feminino no respeito à fotografia aprendido com o brasileiro Miro, a Armadura dos guerreiros samurais e, por fim, o século 19 com a arte desvairada de Toulouse-Lautrec e o mundo ganhando uma identidade própria. Nesse caldeirão de referências o estilista se banha e inspira-se a decodificar os elementos do Universo que o rodeia para criar uma moda na medida e a altura da mulher contemporânea.

V Semana de Moda e o minimalismo

Se Ronaldo Fraga mostrou na segunda-feira (04) o seu apego pelo enredo e a busca por uma identidade brasileira para a moda, a estilista Clô Orozco trafega por um caminho oposto. Não quer passar mensagens a partir da sua criação – “seria muita pretensão minha” – e busca inspiração no estilo clássico de referência francesa - admira a filosofia existencialista e seus ícones Sartre e Simone de Beauvoir. O estilo da moda é minimalista, discreto, e tem a premissa da elegância. Seu diferencial criativo está em inovar justamente em cima desse clássico, sem nem mesmo fugir de tendências. Exemplo: usa o estilo “navy” em algumas peças, traz tecidos masculinos (como a lã tropical comum para ternos) em vestidos femininos de festa, e utiliza os chamados “novos babados” - isso você identifica no vídeo do desfile. A moda de Clô incomoda alguns e é taxada de “antiquada”  num mundo de excessos de cores, de informação e de novidades. Mas ela defende: “um clássico funciona mais do que uma peça muito espalhafatosa”. Pra ela, o fashion de hoje virou sinônimo de excesso. E dispara: “O excesso na moda é para atender a falta de cultura da nova riqueza”. E aí chegamos ao Ruy Castro sobre a moda atual: “O horror está às portas e, desta vez, só uma coisa pode contê-lo: a crise global. Com a falta de crédito, não haverá dinheiro para tantos fru-frus”. A Coleção 2008/9, no SPFW, de Clô Orozco.

Você é o que você veste

melissa-haidar_oficina_baixa.jpgOntem rolou na Livraria Cultura o segundo dia da V Semana de Moda e Cultura. Cheguei para gravar a palestra da Fábia Bercsek, posicionei o tripé, liguei a câmera e comecei a observar as pessoas entrarem no Teatro Eva Herz, com suas fitinhas laranja de identificação nos pulsos. Garotos e garotas cheios de estilo, com looks que os diferenciavam e ao mesmo tempo lhes conferiam certa unidade. Um delas, sentada na beirada do palco, prendia um laço vermelho de verniz nos cabelos loiros.

Casa cheia. Tudo pronto pra dar início à palestra da Fábia. Mas cadê a estilista? Para minha surpresa, a jovem de laço vermelho no cabelo sobe ao palco, senta na poltrona de couro creme e começa a contar sua trajetória profissional. Sim, aquela era Fábia Bercsek! Que trocou as ilustrações do colegial técnico em Desenho de Comunicação pelas estampas de criação própria para criar “moda para mulheres que querem se diferenciar pela roupa”.

Contou sobre a inspiração nas roupas de bonecas para desenvolver a Coleção 2008/09. Sobre a arte da customização, falou a respeito da evolução da personalidade do homem e de seu desejo de interagir com o universo, aproveitando-se do papel contestador da moda para tal. “O mundo só cresce a partir da diferenciação”, afirmou a estilista. Primeiro é necessário fazer uma auto-análise, se conhecer melhor, para então se traduzir na roupa que veste, pois ela conta sua história. “Esse é o papel da moda: ir no limite. Ir até onde a imaginação pode chegar”. Dito isso, cada um dos espectadores pega a camiseta com que foram presenteados e seguem felizes para se apinhar na oficina de customização (vejam a foto), que encerrou com chave de ouro o bate-papo.

Fitas coloridas, tiras de tecido com estampa de oncinha, grandes botões brancos, pequenos rebites brilhantes, apliques autocolantes de coroas, vaquinhas e borboletas. Desenhos personalizados em tinta purpurinada, feitos pela própria Fábia, para os mais afortunados. E todos partem felizes e contentes para casa, com suas camisetas customizadas e a certeza de não ser apenas mais um naquela multidão.

Em busca da identidade brasileira

Na década de 20, o manifesto antropofágico proposto por Oswald de Andrade via a cultura brasileira como resultado da digestão de tudo o que era vindo do continente europeu e transformado em coisa nossa. Tratava-se de uma imagem poética que podia ser vista como crítica a curta memória cultural de um país que nem tinha 500 anos e que se apegava as “tendências” de fora. Na época, Oswald e os demais modernistas partiam em busca de revelar uma identidade nacional, que ainda hoje é perseguida por artistas, pensadores… e estilistas. Exemplo deles é Ronaldo Fraga, que esteve ontem na V Semana de Moda e Cultura. Para ele, a discussão sobre identidade, que países europeus temiam perder nos anos 70, pode agora parecer “over”, mas para o Brasil continua a fazer muito sentido. “Ainda brincamos com essa história de fazer moda, ainda não demos o nosso tom, não encontramos a nossa cara”, diz Fraga. Pensar sobre isso nunca foi tão importante como neste século 21, quando a moda aparece como uma das áreas mais democráticas da cultura e na qual se estabelece como valor o jeito particular de se olhar o mundo. “A herança cultural vai ser determinante para a construção da nossa moda”, profetiza. Contra rótulos de regionalista, Fraga cita filme de Wim Wenders: “identidade é a cidade que cada um traz dentro de si”, ao comentar que menos tendências anunciadas e mais características próprias é que vão tirar a moda da “chatisse” que vive hoje. A última coleção para o verão 2008/9 traz à tona a questão da transposição do Rio São Francisco e resgata a característica cultural dos ribeirinhos da região.



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