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Archive for the 'Resenha' Category

Um sonho possível (The blind side)

blindside_03Confesso que quis ver o filme um dia depois do Oscar apenas pela curiosidade de analisar a interpretação da atriz mais rentável de 2009. Sandra Bullock tinha acabado de faturar a estatueta de Melhor atriz e eu, muito desconfiada, fui ver com meus próprios olhos se ela era realmente merecedora do prêmio. O veredito final: uma premiação um pouco precipitada.

Sandra faz o papel de Leigh Anne uma ricaça branca, com uma família perfeita, consciente de seus valores cristãos que muda sua vida quando conhece Big Mike, um negro obeso, de QI baixíssimo e filho de uma viciada. Sem pensar duas vezes, a mãe de família tira o menino das ruas e o leva para sua casa, dando-lhe cama, comida, roupa e tudo o que ele nunca teve: uma família estruturada e carinhosa.

A atriz não arrasa na atuação, mas traz leveza e naturalidade a personagem. Não há grandes momentos emocionantes, até porque o filme é bastante raso e não carrega na emoção e nem na comédia, mas tem seu mérito. É um papel diferente do que ela está acostumada a fazer e parece ter sido fiel ao que foi proposto pelo diretor John Lee Hancock. Talvez sua interpretação tenha sido um pouco prejudicada justamente pela atmosfera insossa do filme.

Porém, não é de todo ruim. O diretor fez uma contextualização muito boa da política atual, na qual os republicanos se colocam como vítimas da era “Obamista” e dizem sofrer com o racismo contra os brancos. John Lee também utilizou a relação do caçula da família com o grandão, de forma agradável e inteligente. Uma ferramenta excelente para gerar empatia do público.

No fim, o filme se foca em uma história de amor altruísta, por isso é compreensível o sucesso que fez nos Estados Unidos e que, provavelmente, fará no Brasil. É fácil sair do cinema com aquela sensação de dever cumprido devido ao desfecho extremamente feliz, e o melhor, verídico.

O filho eterno

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No livro O filho eterno, Cristóvão Tezza, ganhador dos Prêmios Portugal Telecom, Bravo! Prime, Jabuti, APCA e São Paulo de Literatura, utiliza frequentemente a frase “nada do que não foi poderia ter sido”. O narrador desse romance-autobiográfico refere-se à inutilidade da vontade perante situações concretas, sobrando ao individuo a necessidade de se conformar com o inexorável destino. Pessimismo? O narrador parece mais realista a porta-voz do sentido trágico da vida.

Em entrevista à Revista da Cultura, edição 24, Tezza disse que, ao ler trechos de O filho eterno, “sente algumas pontadas de estranheza, de uma espécie de duplo.” A sinceridade com que foi produzido o livro talvez explique sua afirmação. A obra narra a trajetória de um pai que se vê com um filho portador da Síndrome de Down, apontando todos os sofrimentos, sensações e decepções do narrador que foi imbuído pelo “destino” a cuidar de uma criança deficiente.

As frustrações desse pai são expostas em sua totalidade. Por esse motivo, em certos momentos do livro, a narrativa soa preconceituosa, despertando no leitor uma inquietação, como se aquilo que lê fosse proibido dizer. Por revelar sem receios o que todos se esforçam para esconder, O filho eterno torna-se mais um romance contemporâneo que merece ser lido.

Onde vivem os monstros

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Adaptações de livros clássicos para o cinema sempre geram controvérsias. Alguns gostam, outros reclamam que muitas de suas partes preferidas da obra original foram suprimidas. Mas e quando a adaptação cria um roteiro cinematográfico de quase duas horas de duração em cima de uma história original de poucas frases?

Onde vivem os monstros, do americano Maurice Sendak, é um clássico infantil de 1963, laureado com a Caldecott Medal (uma premiação para os mais importantes livros para crianças). Através de um casamento perfeito entre texto e imagem, o autor conta a história de Max, um garoto que acaba na terra dos monstros depois de fazer algumas maldades em sua roupa de lobo.

Agora, em 2010, o diretor Spike Jonze (de Quero ser John Malkovich e Jackass), em parceria com Dave Eggers, criou um roteiro que tem por base as desventuras de Max e seus amigos monstros.

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Os 10 livros de marketing que você deveria ler

posicionamentoQuero compartilhar minha relação dos dez livros de marketing que você deveria ler antes de sair por aí torrando o dinheiro de marketing da sua empresa.  Escolhi livros que estão disponíveis em português (veja a lista depois do jump - a foto ao lado é do livro nº 1 da minha lista). Esse post inicia uma série sobre os dez livros mais importantes, na minha opinião, sobre marketing, vendas, liderança, estratégia, inovação… No próximo, vou listar livros em inglês.

Já dizia Peter Drucker: “Os dois únicos motivos porque existe uma empresa é marketing e inovação. O resto é custo e perda de tempo”.

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Um porre homérico

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                                                                                                                                               Quatro amigos decidem viajar a Las Vegas. Afinal, um deles vai casar e merece uma inesquecível despedida de solteiro. Mas o que acontece é justamente o contrário: a bebedeira é tão forte que no dia seguinte eles não conseguem lembrar de nada. E o pior: o noivo desapareceu! Os amigos percorrem a Cidade do Pecado e encontram…

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Força G 3D

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                                                                                                                                                       Força G é o novo filme da Disney que desbancou Harry Potter e o enigma do príncipe. Dessa vez, os protagonistas são três porquinhos-da-índia que foram treinados como agentes secretos do governo. Graças a moduladores de voz, eles conseguem conversar com humanos. O projeto envolvendo o treino de animais para atuar em missões secretas será desativado e por isso o trio precisa mostrar que é merecedor de respeito.  Logo na primeira missão eles descobrem um plano de dominação mundial envolvendo a maior empresa de eltrodomésticos do planeta. Expanda o post e confira as impressõe sobre o longa, que deve estrear nos cinemas no dia 14 de agosto.

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Tour crítico-literário

books2Há tanta coisa para ler, tantos livros para conhecer, tão pouco tempo para escolher, e como é bom escolher! Adoro andar pelas livrarias de qualquer canto da cidade, ou fora dela, conversando com as estantes, folheando “línguas”, contracapas, prefácios e trechos dos livros, numa busca frenética para encontrar “aquele” companheiro, o parceiro das próximas horas, dos próximos dias.

Não ria, mas às vezes leio dois ou três livros ao mesmo tempo. Ok, aceito a risada, mas confesse que não sou só eu que o faz. Engraçado, lúdico, mas real, às vezes leio mais de um simultaneamente “usando” os autores de acordo com o meu estado de espírito. Na manhã de domingo, por exemplo, me empolgo com uma biografia, no início da tarde passo para o romance-século XIX, ao cair dela me jogo no ensaio-década de 90, e ao final da noite devoro uma crônica-maldita, bem útil para já ir pensando na segunda-feira. Já os diários e correspondências são rituais de todas as noites. Minha reza.

Claro, às vezes enlouqueço, é verdade. Múltiplas leituras, quando não ensaiadas, podem levar você a babar sobre um livro. Coisa de louco, mas como é bom ficar louca por e para os livros. Em geral, no entanto, leio um de cada vez, um único, aquele “maldito” que me envolve com sua trama, com sua força, que não me larga, que eu não largo, que preciso soltar desesperadamente, mas como “estou” louca e loucos podem tudo, ouso, abuso, deixo de dormir, de trabalhar, de sair. Às vezes esqueço até de comer, mas, claro, isso é mais raro, principalmente se tenho uma barrinha de chocolate.

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Copacabana em preto e branco

copacabana-240O bairro carioca de Copacabana é palco de uma interessante HQ. A dupla Lobo e Odyr conta a história de Diana, uma prostituta que está afogada em dívidas e aceita participar de um golpe envolvendo um americano. Quando tudo começa a dar errado, ela precisa desesperadamente encontrar uma saída.

A história é pesada, mas Lobo consegue criar situações cômicas que quebram a densidade e a tensão nos momentos certos. O roteiro é bom, mas não chega a ser surpreendente e acaba caindo em clichês de histórias policiais.

A arte de Odyr cria imagens muito bonitas contrastando o preto e o branco. Algumas cenas, no entanto, são confusas graças ao número de detalhes.

Assim como outros lançamentos da Desiderata, a HQ merece ser conferida e é uma boa opção para quem cansou das histórias de heróis. Quem se interessou pode acessar o hotsite da publicação aqui.

“A Elegância do Ouriço” e da nova literatura francesa

“Nous n´acceptons pas demandes dans d’autres langues”. Ou, algo como: “Não aceitamos pedidos em outras línguas”. Essa nada sutil mensagem parecia piscar no cardápio sem fotos de um típico café parisiense, administrado com a paixão napoleônica pela língua nativa. Foi assim que me vi num labirinto linguístico onde tentava articular de improviso surdo-mudo, com a nada sorridente garçonete, meu desejo por um singelo croissant. Nada de inglês, espanhol ou português naquele estabelecimento. A atendente também não anotava solicitações feitas através de sinais. Vire-se. Entendido!?

Dizem que os franceses são organicamente chatos. Efeito cultural? Defeito familiar? Genética? Ninguém sabe. Mas, aprendi que eles estão para a chatice, assim como todo brasileiro está para a excelência do “samba no pé”. Falácia, sem dúvida! Se minha “estreia” na capital francesa, no café surdo-mudo do Quartier Latin, não foi a das mais simpáticas, com o passar dos dias foi possível entender o típico, e tantas vezes criticado, mau humor francês. Para aqueles que, infelizmente, ainda não puderam “investigar” in loco essa dinâmica comportamental, é possível conhecê-la em outro endereço: um prédio classe média-alta, no número 7 da Rue de Grenelle. Ali reside toda a “maestria mordaz” do pensamento parisiense, detalhada nas páginas de um dos melhores livros que li nos últimos anos: “A Elegância do Ouriço”, da francesa Muriel Barbery. Continue lendo.

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O Apanhador no Campo de Centeio

o-apanhador-no-campo-de-centeioOs que já passaram de um quarto de século em idade sabem que adolescentes são chatos. Ponto. Quem nunca conviveu próximo a um deles basta recordar o próprio passado. Existem os mais criativos, os ansiosos, os sempre teimosos, os quase depressivos, os muito agressivos, os naturalmente confusos, os eventualmente lunáticos e, claro, os arrogantes de carteirinha. Em maior ou menor grau, a verdade é que toda essa “adjetivada” se encontra simultaneamente em grande parte das “espécies” de adolescentes. É preciso muita proteção aos ouvidos e paciência para aguentarmos o “tranco” que é a convivência.

Não me lembrava mais como era chato “ser adolescente”. A leitura de “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger, trouxe a sensação de volta. Nos últimos quatro dias, cada página lida construía mais uma vez esse cenário de insatisfação com o mundo que compõe todas as lembranças típicas de uma garota como eu, que além de escrever tinha como maior passatempo trocar a todo o momento a cor do cabelo. Quem entende? Holden Caulfield, certamente. O protagonista do livro não só expôs esses dilemas da adolescência como criou, ao longo das últimas décadas, uma verdadeira legião de fãs.


“Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é de onde eu nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que meus pais fizeram antes que eu nascesse, e toda essa lengua-lengua tipo David Copperfield”




O romance, publicado em 1951, narra uma série de acontecimentos banais ocorridos na vida de um adolescente de 17 anos, oriundo de uma família abastada de Nova York. Depois de ser expulso pela terceira vez de um conceituado internato de rapazes, ele adia a volta para casa e resolve, de hotel em hotel e bar em bar (apesar da pouca idade), pensar na vida e procurar pessoas que lhe parecessem importantes (ou seja, qualquer uma que lhe desse um pingo de atenção) para dividir suas aflições e lamentos. É um livro de adolescentes, mas, não necessariamente indicado para eles. Leia Mais.

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