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Archive for the 'Sociologia' Category

Roupa de artista

- o vestuário na obra de arte, de Cacilda Teixeira da Costa é um livro excepcional.
Bonito de ver, bom de ler, didático e acessível com a devida profundidade que o paralelo entre Moda e Arte pede. A autora revela a raiz comum desse DNA que diz tanto da gente. É um passeio por tempos, ideais e costumes.

Assista aqui ao depoimento da pesquisadora sobre este seu memorável trabalho, um aperitivo do banquete que é o livro.

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Invasão de fã-clubes

Uma das atrações mais badaladas do Vira Cultura 2009 foi a reunião das turmas de admiradores das fantásticas sagas: Star Wars, Harry Potter, Senhor dos anéis e Crepúsculo.

Os quatro fá-clubes oficiais de Star Wars: Rebel legion, 501st, Vode An e Blades, entre performances de luta de sabres, ministraram workshop sobre a montagem dessas famosas e já tradicionais espadas de luz.

A turma do Harry Potter, além das aparições cosplay, organizou um quiz “Potter ou repassa” e o jogo “Figurinhas Mágicas”, com sorteio de fotos de bruxo.

O pessoal aficcionado em Senhor dos Anéis propos jogos e contação de histórias baseados no universo mágico do escritor da saga, J. R. R. Tolkien.

A “caçada dos Cullen”, referência à família de vampiros da trama Crepúsculo, de Stephenie Meyer, foi promovida pelo clube Twilight Universe.

Muita gente e muita animação contaminando mesmo quem (ainda) não conhecia esses fabulosos mundos de puro entretenimento. No vídeo, o registro de algumas cenas e depoimento dos participantes. Na edição de dezembro da Revista da Cultura leia como a magia dos admiradores é estratégica para a conquista e preservação destes fenomenais sucessos.

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Rosa Parks e a rebeldia nossa de cada dia

rosa-parksMuitas vezes os grandes personagens aparecem do nada, nascendo de um simples gesto quando numa fração de minutos decidem sair do script, romper fronteiras, sair da boiada. O mundo está cheio de pessoas que querem fazer isso o tempo todo, mas têm medo. Há 54 anos, em Montgomery, estado do Alabama (EUA), uma delas resolveu enfrentar o pavor. Uma costureira humilde, negra, Rosa Parks, 42 anos, fez a diferença e mostrou que mesmo sem nada planejado, nada pensado, só com um gesto de desafio, podia mudar as coisas. Em 1º de Dezembro de 1955, ela estava sentada com outras pessoas no início da “seção negra” de um ônibus local de transporte coletivo.

Nessa época imperava o sistema de segregação racial, que separava as primeiras fileiras de assentos para pessoas brancas. Havia uma placa móvel destinando os assentos para cada cor, e quando o número de pessoas brancas aumentava, o motorista deslocava a placa para trás, aumentando a “seção branca”. Os negros tinham de se deslocar ou sair do coletivo. Nesse dia, o motorista James F. Blake viu um passageiro branco ficar sem lugar. Parou o ônibus lotado e mandou que os negros liberassem uma fileira. Todas as pessoas obedeceram, menos uma, Rosa Parks. Olhando para Blake, ela se recusou a sair de seu lugar (mais por cansaço do que por espírito revolucionário).

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Consciência negra aguarda a consciência branca

cnA incompreensão de raças é tão velha quanto “andar pra frente”. A cronologia da humilhação de negros e índios no Brasil remonta dos primórdios do descobrimento, quando a herança racista portuguesa, pra não dizer européia, chegou por aqui junto com Cabral, em 1500. No mesmo ano, Portugal iniciou o comércio de escravos negros para a América. O navegador português Bartolomeu Dias, célebre por ter sido o primeiro europeu a navegar além do sul da África, naufragou na mesma data, morrendo em frente ao Cabo da Boa Esperança. Ninguém sabe ao certo, mas é possível que sua carga era de negros escravos sendo levados aos mercados internacionais. A consciência branca naquela época era ganhar dinheiro com a inconsciência negra.

Cem anos depois (1600), negros foragidos dos engenhos de açúcar de Pernambuco fundaram o quilombo de Palmares, na serra da Barriga. Aquele oásis de liberdade foi se entulhando de escravos refugiados (chegaram quase a 30 mil), tornando-se uma “terra santa”, Terra da Promissão. Em 1605, a rebeldia dos escravos avança, enquanto na Europa Cervantes publica “D. Quixote” e Francis Bacon lança o seu “O Progresso do Conhecimento”. O mundo branco se intelectualiza, enquanto o mundo negro, ou fragmentos dele, se conscientiza, aos poucos, às escuras.

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Camadas sobre camadas: significado e controle

neve1O programador e estudante de Filosofia (!!!) estadunidense Alexander Galloway esteve recentemente no Brasil para falar de redes digitais, controle e anonimato. Galloway nunca havia estado na América do Sul e, apesar de tímido, compartilhou generosamente sua sabedoria técnico-filosófica – a mesma utilizada no livro “Protocol - How Control Exists After Decentralization”.

Aqui no Brasil, o especialista em redes digitais falou sobre certas características essenciais - pré-condições - para a existência de uma rede: incongruência e assimetria. Talvez por isso o protocolo (de rede, como DNS e HTML) seja uma manifestação tão humana e socialmente rica - afinal, é imperfeição, é desequilíbrio, é abertura. Mais ainda: é distribuição de poder. O protocolo remete, de fato, à idéia mais fundamental de “etiqueta” – conjunto de regras aceitas formal ou tacitamente por uma coletividade. Pois não há como operar dentro do protocolo sem estar sujeito a todo ele e a suas limitações e regras. Deve-se entender que um protocolo é, em verdade, uma camada (de regras) sobre outra camada – a rede (web) em si, o substrato mais técnico que permite a comunicação à distância entre computadores. Quem aceita o protocolo, ou seja, quem usa a internet, deixa rastros, “pegadas na neve” que nem imagina. E é exatamente esse o maior ônus que quem usa a rede necessariamente paga: a concessão de dados, poder e controle sobre quem ele é, o que faz e quanto tempo passa em cada site.

Galloway adequadamente chama o protocolo de “a mais organizada mass media conhecida pelo homem”. De fato. Maciça, muito mais do que qualquer outra mídia; porém, com outras características muito distintivas, como agilidade, fluidez - e poder distribuído.

As possibilidades, mas, também, as vulnerabilidades dos comunicadores nunca foram tantas nem tão grandes como agora. Quando estiver passeando na rede, não se esqueça: queira ou não, saiba ou não, já aceitou o protocolo.

O Centésimo Macaco

monkey100Post com Trilha:

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Too Much Monkey Business

1952. Ilha Koshima, Japão. (adoro começar posts como filmes).

Um grupo de cientistas observa um grupo de macacos. E vice-versa.

Uma macaquinha esperta, cansada de comer batata suja de terra, aprende a lava-las. Logo, sua mãe aprende o truque. E seu pai. E seu irmão. E logo a macacada toda estava lavando suas batatas antes das refeições. Porém, misteriosamente, quando o centésimo macaco aprende o truque, algo fenomenal acontece: imediatamente os macacos de outras ilhas distantes dalí começam a fazer a mesma coisa.

Paranormalidade? Telepatia primata? E-Learning?

Não, groselha mesmo. Pura cascata, óbvio. Imaginação fértil de um certo Dr. Lyall Watson que publicou a Teoria do Centésimo Macaco em seu livro Lifetide, de 1979. E como toda mentira bem contada automaticamente vira verdade, o mito pegou e até já foi ensinado por aí como se de fato tivesse acontecido. O fenômeno do “me engana que eu gosto” se justifica porque o efeito realmente existe. Antes era muito associado ao inconsciente coletivo. Depois pipocou em textos esotéricos. Mas hoje em dia faz bonito mesmo quando o assunto são as redes sociais. Se não me engano a Teoria do Centésimo Macaco é mencionada no Tipping Point do Malcon Gladwell. É a ebulição da água, o momento em que algum conhecimento ou comportamento de nicho explode para as massas.

Já vimos o centésimo macaco fazendo seu login em conta de email, em salas de chat, no orkut, no Twitter e no Facebook. O centésimo macaco anda a solta por aí, só esperando a sua vez de espalhar as novidades para as massas. Ele mora lá naquele gráfico que parece um sino, da difusão das coisas, early adopters e aquele papo todo. Bem no comecinho da curva. É o macaco da inclusão. Bendita ou maldita. É o último da fila da moda. O macaco mais pop do mundo.

Neofobia: os perigos da bicicleta

Março, 1906. A revista inglesa The Captain publica um artigo sobre os perigos de se andar de bicicleta por aí. Como, por exemplo, se expor ao ridículo como um macaco equilibrista. E, claro, a vagabundagem. Afinal, como os ciclistas andam mais rápido que os pedestres, eles acabam deixando tudo para última hora. Artigo completo depois do jump. Via.

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O pensamento de Lévi-Strauss

Alguém que viveu um século tem muita coisa a dizer. Alguém que conversou com as mais diferentes pessoas do planeta, fossem elas índios, estudiosos, pessoas simples, complexas, intelectuais… tem muita coisa a falar. Alguém que estudou antropologia tão a fundo, e deixou tanta massa crítica sobre o tema nunca deixará de ter coisas a ensinar. Claude Lévi-Strauss morreu no sábado (1ª) aos 100 anos de idade. Com a morte do filósofo, sociólogo, etnólogo, antropólogo estruturalista, nascido belga, e autor de obras como “Tristes Trópicos” (1955), “Antropologia Estrutural” (1959), “O Pensamento Selvagem” (1962), entre outras, ficamos mais desamparados para entender o ser humano.

Considerado o fundador da Antropologia Estruturalista, seu trabalho contribuiu decisivamente para temas como a teoria das estruturas elementares do parentesco, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos. Foi de sua peregrinação pelo Brasil, onde morou de 1935 a 1939 e atuou como professor de Sociologia na Universidade de São Paulo (USP), e seus estudos com os indíos, que resultaram o livro “Tristes Trópicos” – um registro destas viagens publicado em 1955 e considerada até hoje sua obra mais marcante.

A melhor homenagem a esse grande “honoris causa” da antropologia é deixá-lo falar. Seguem alguns trechos de entrevistas realizadas nos últimos anos com alguns de seus pensamentos.

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