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Archive for the 'Uncategorized' Category

VIVA PIVA!

Infelizmente, nos últimos tempos a saúde debilitada de Roberto Piva tem ganhado mais destaque que sua produção. Depois de uma angioplastia, o “maldito” segue sob tratamento e uma turma de admiradores do poeta organizou um evento que quer saudar o trabalho do paulistano.

viva-piva

João Silvério Trevisan, Mário Bortolotto, Roberto Bicelli, Xico Sá e muitos outros organizaram o evento VIVA PIVA!, que acontece no próximo sábado, 06/03, na Galeria b_arco, em Pinheiros.

O evento, que contará com música e poesia, começa às 20h30. Participe!

Na Cultura, Mostra 100 Anos Akira Kurosawa

Um dos cineastas japoneses de maior reconhecimento no Ocidente, Akira Kurosawa completa seu centenário no próximo dia 23 de março. Diretor perfeccionista, com notável senso estético e exímio talento de unir na tela as técnicas narrativas ocidentais à tradição espiritual japonesa, Kurosawa deixou em sua obra cinematográfica um profundo e reflexivo estudo sobre a natureza humana.

Em sua homenagem, a Cultura do Shopping Market Place promove em domingos do mês de março e abril, sempre às 17h, a Mostra 100 anos Akira Kurosawa, com a exibição de importantes filmes do mestre. No site da Livraria você confere as datas e os títulos.

Frederic Chopin - 200 anos

Minha relação com Chopin começou relativamente tarde, quando eu já era estudante de música. Até então, eu o considerava apenas um melodista incorrigível, um romântico extremo sem nada de heroico, e que absolutamente jamais encontraria lugar entre os meus ídolos do momento, mesmo românticos, como Beethoven, Schubert,Schumann, Brahms e Wagner. Mas o motivo para tamanha indiferença teria que ter uma razão de ser, afinal, a importância musicológica de Chopin é inquestionável e permanece nova a duzentos anos. Chopin, alem de grande compositor, foi um pianista virtuose. Escondidas entre as simplicidades melódicas e harmônicas de algumas de suas peças, estão exigências técnicas enormes, incapazes de serem vencidas por pianistas desprovidos de talento. Em poucos compassos de uma de suas Mazurkas, por exemplo, encontramos indicações tais como con anima, dolcissimo, ritenuto, a tempo, sotto voce, mancando, sempre rallentando, assim como exigências constantes de pedal.
A música da escola romântica, e a música de Chopin especificamente, é difícil de se tocar não apenas pelos seus aspectos técnicos, mas principalmente, pelo seu caráter. A palavra sensibilidade, aqui, pode gerar contornos exageradamente desproporcionais e incontroláveis. A tendência de alguns solistas, ou mesmo regentes, é torná-la ainda mais romântica, com tempos arrastados, rubatos em excesso, dinâmica inadequada, e a música de Chopin é o veículo ideal para esse extravasamento exagerado de emoções; quando ele pede uma lágrima, apenas, chora-se convulsivamente.
Acostumado à linearilidade de Bach, ao rigorismo formal de Haydn, às exigências precisas de Beethoven, ao formalismo neoclássico de Brahms, tais exageros emotivos proporcionados por alguns intérpretes chopinianos, como Malcunzinski, Brailowski, ou mesmo o intérprete da trilha sonora de À Noite Sonhamos, Jose Iturbi, por exemplo, tornaram-me azedo com relação à sua música. Pelo seu caráter, pela sua facilidade em cantar, pelo seu romantismo quase feminino, Chopin é um dos compositores mais fáceis de se tocar mal. Foram necessários alguns anos de maturidade e aprendizado, e de escutas formais para que eu, finalmente, percebesse essas diferenças.
Hoje, recuperado o tempo perdido - e isso graças às mãos e à sensibilidade de um Claudio Arrau, um Maurizio Pollini, um Emanuel Ax, uma Maria João Pires e, é claro, um Arthur Rubinstein, talvez seu mais dedicado intérprete - Chopin, finalmente, tornou-se uma das minhas referências.

Gostas de banda desenhada, gostas de Dylan…

…então não perca a oportunidade de ler o álbum que junta treze artistas de quadrinhos que, inspirados pelo “fanho”, desenham, reinventam e abrem novas formas de “ouvir” as canções de Dylan.

Talvez os mais ávidos folheiem rápidamente o álbum para ver o trabalho de Dave McKean (o famoso ilustrador das capas do Sandman) e sua visão de “Desolation Row”, mas chamo a atenção para Fraçois Avril, que é quase cinematográfico em “Girl From the North Country” e nos quatro painéis que Zep fez inspirados em “Not Dark Yet”.

Ah, o nome do quadrinho é Bob Dylan Revisited e o único senão é não ser acompanhado por um cd com as músicas que inspiraram os artistas. Mas isso é coisa de fã neurótico!

Texto originalmente publicado no - ainttalkin -

Flannery O’Connor

“I like to forget that I’m just a story-teller”.
Carta para Elizabeth Hester de 9 de Agosto de 1955 (Collected Works of F. O’Connor, pg. 944)

Flannery O’Connor foi “apenas uma contadora de histórias”, segundo suas próprias palavras. Mas ela não era apenas uma contadora de histórias. Em sua prosa, Flannery O’Connor encontrou, na verdade buscou, resgatar aos olhos de seus leitores, o estranhamento com que a Graça, o Mal e o Pecado Original, atuam neste vale de lágrimas. Esse estranhamento ocorre em nossas vidas quando o grotesco, a violência ou nossa incapacidade de reconhecermos que há uma inexpugnável diferença entre o que crermos ser o certo, e o que é certo perante os olhos de Deus.

Este é o chamamento, o furor violento que Flannery usa tão bem em suas histórias para fazer-nos ver o bizarro que nos cerca, e assim, aceitarmos melhor nossa parcela nessa realidade criada para nós.

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Jose Mindlin: adeus ao mestre

fotoMorreu nesta manhã chuvosa um dos maiores amantes dos livros e grande “amigo da família Livraria Cultura”, o bibliógrafo José Mindlin. Acho que nenhuma palavra ou frase vai conseguir expressar o pesar por esta perda e a tristeza que ouvi na voz de Pedro Herz pelo telefone nesta manhã. Assim, coloco aqui o link para a última entrevista dada por Mindlin e publicada na Revista da Cultura de janeiro de 2010: clique aqui.

Feliz aniversário, George Harrison!

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Ontem, dia 25 de fevereiro, George Harrison faria 67 anos. Como não vi em nenhum notíciário, decidi homenagear aqui um dos meus Beatles preferidos. Parabéns, George!

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Neil Gaiman e Batman

Acaba de chegar em minhas mãos a edição encadernada do ciclo de histórias que Neil Gaiman (o Sr.Sandman) fez em homenagem ao Cavaleiro das Trevas. Intitulada - Batman - Whatever Happened to the Cape Crusader? - a edição ainda junta quatro histórias do morcego escritas por Gaiman e reunidas aqui pela primeira vez.

A história em si é uma teia de citações e referências ao universo do morcego, teia tecida com maestria por Gaiman e desenhada por Andy Kubert (que usa os vários estilos visuais já feitos para o morcegão).

Uma edição para deixar ao lado da clássica - “Whatever Happened to the Man of Tomorrow?” - do Alan Moore.

Os guias politicamente incorretos

Vocês já devem ter lido por aí, visto nas listas de mais vendidos e dado de cara com ele em alguma Cultura…O Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, do jovem (mesmo, ele tem lá seus 30 anos) jornalista Leandro Narloch.

O livro nasceu para combater o que Narloch chama de “lugares comuns” ensinado nas escolas brasileiras,

Provocador, polêmico, divertido…a leitura do livro é um prazer em si, mas o principal é que ele tenta corrigir o modo de pensar e conhecer nossa história, já não de hoje, tão distorcido e ideologicamente guiado.

Mas gostaria de chamar a atenção para a série publicada nos Estados Unidos pela Perseu Books chamada - Politically Incorrect Guide To… - que faz o mesmo exorcismo ideológico em diversas áreas. Desde a Literatura Inglesa, passando pela História Ocidental e até em temas por si só polêmicos, como o aquecimento global.

Vale a pena arriscar o nosso “senso comum” e ousar lê-los.

Três livros para entender o Oriente Médio

Três livros, escritos em tempos diferentes (o primeiro é de 1989, o último foi lançado em Janeiro passado), ajudam a compreender o Oriente Médio e e sua cultura, mostrando as diversas forças que moldam as ações e as idéias daquela parte do mundo que tanto preocupa e aterroriza o Ocidente

Desde as relações de poder que consistem em uma série de indivíduos procurando autoridade como um fim em si mesmo; onde aqueles que ganham governam despóticamente, aqueles que falham perecem em prisões. A busca por riquezas que criam castas intransponíveis entre pobres e ricos. Vergonha e honra que dominam a vida privada, especialmente nos relacionamentos entre homens e mulheres.

O sistema de relações tribais que faz com que as relações familiares sejam fortes e levem a uma gradual e consistente visão do mundo que pode ser resumida assim: “Eu sou contra meu irmão, eu e meu irmão somos contra nossos primos, eu meus irmãos e meus primos somos contra o mundo.”

Por fim, a visão árabe expressa nas palavras de Osama Bin Laden: “”When people see a strong horse and a weak horse, by nature, they will like the strong horse.” Que levada ao pé da letra mostra que o Ocidente só será respeitado se possuir determinação e poder real em suas ações.

As interpretações acima são, respectivamente dos livros The Closed Circle (David Pryce-Jones), Culture and Conflict in the Middle East (Philip Carl Salzman) e The Strong Horse

(Lee Smith).

Tribalismo, culto à Morte, autoridade despótica, unidade religiosa…não há solução simples para as relações dos países Ocidentais com o Oriente Médio (especialmente o papel dos EUA), mas uma coisa é certa: Rebaixar-se ao papel de “pangaré” não é a melhor saída para o Ocidente.



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