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O que seria do cinema sem Morricone?

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O maestro Ennio Morricone completa hoje 81 anos. É difícil decifrar a sensibilidade desse homem, considerado o maior compositor italiano de todos os tempos em trilhas sonoras para cinema. É uma daquelas personalidades a quem os deuses da música deram poderes ilimitados, tal a sua capacidade de juntar de forma brilhante e única a música e as imagens cinematográficas. Romance com Morricone ao fundo é êxtase. Ação ao som do maestro romano é imbatível. Orgulho, vaidade, tristeza, felicidade ou qualquer outra sensação que os filmes queiram transmitir é pura elegia quando Morricone assina a partitura. É tão embriagador que já não sei se o filme é bom porque é bom, ou se é bom porque é dele a música. Filme ruim com o maestro na regência é “aquele que… humm… não me lembro bem como é, mas a música é linda… maravilhosa!”.

Hoje é dia de festa na vida do maestro, que ainda tem uma carreira extremamente produtiva, rica em trabalho, gloriosa em prêmios (quase levou o Grammy Hall of Fame de 2009), e sempre acompanhada de grandes cineastas. Anote aí alguns com quem o maestro já trabalhou (inacreditável): Elio Petri, Gillo Pontecorvo, Henri Verneuil, Bernando Bertolucci (1900), Clint Eastwood, Sergio Leone (Era Uma Vez Na América), Terrence Malick (Cinzas no Paraíso), Marco Ferreri, Brian de Palma (Os Intocáveis), Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso), Roman Polanski, Barry Levinson, Roland Joffé (A Missão), John Boorman, Wolfgang Petersen (Na Linha de Fogo), Mike Nichols, Pier Paolo Pasolini, Alberto Lattuada, Don Siegel, Edward Dmytryck, John Carpenter, Samuel Fuller, Pedro Almodóvar (Atame!), Franco Zeffirelli, Warren Beatty (Segredos do Coração), Oliver Stone, etc., etc., etc…

Mais de 450 filmes, consagrado como Cavaleiro da Legião de Honra da França e premiado com o Oscar Honorável, Morricone ainda hoje trabalha como um “operário da arte musical” (autor da trilha da mais recente obra de Giuseppe Tornatore, “Baaria”, apresentada este ano em Cannes). Em pleno século XXI, com mais de 50 anos de composição e regência, o maestro ainda é um profundo influenciador das novas gerações de compositores, músicos e cineastas.

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Fã desvairado da obra de Marricone, Quentin Tarantino, atual enfant terrible das telas, o convidou para musicar seu ultimo trabalho, “Bastardos Inglórios”, mas dificuldades de calendário o impediram. Mesmo assim, Tarantino usou e abusou dos temas do maestro em seu filme (já os tinha usado em “Kill Bill”), fraseando passagens sublimes com fragmentos de trilhas anteriores do compositor.

Suas partituras são repletas de detalhes, com harmonias complexas, compassos carregados do melhor leitmotiv, andamentos assimétricos e melodias sublimes que encantam qualquer ouvido humano. Ao longo da carreira as gravações de Morricone receberam mais de 30 discos de Ouro, 7 de Platina e uma infinidade de outras premiações concedidas a alguém que atravessou o tempo e as malhas de Hollywood, fazendo sucesso sem deixar de lutar contra a mediocridade (“um compositor que não tem o conhecimento e capacidade de orquestrar suas próprias composições não pode ser chamado de compositor”).

Parabéns, maestro! Não esquecemos de você, nunca. Não se esqueça de nós, continue.

Abaixo: “Cinema Paradiso”, com regência do próprio Morricone.

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