O “duelo” entre tradição e modernidade é uma questão frequente nos filmes de Lírio Ferreira. Além de “O homem que engarrafava nuvens”, que estreou recentemente nos cinemas (leia matéria completa na Revista da Cultura deste mês), o cineasta também dirigiu Árido Movie, Cartola e Baile Perfumado. Não importa a temática, todos trazem uma espécie de diálogo entre passado e presente. Lírio justifica: “o cinema brasileiro é a cara do Brasil, retratando as contradições entre tradição e modernidade e todo o seu paradoxo”. Esse não é o único paradoxo que preocupa o cineasta. A exibição dos filmes nacionais, que difere da produção “blockbuster”, é a principal dificuldade (e desafio) para quem faz cinema atualmente no Brasil.
Com pouco mais de duas mil salas no país, as produções nacionais disputam espaço com as americanas (a exemplo de Avatar) que podem “ocupar” 600, 700 salas para um único filme. O restante é disputado entre outras produções internacionais e os filmes brasileiros, que geralmente ficam sem espaço. “É uma concorrência desleal e imoral. Como se inventassem um carro que custasse R$ 200,00 e soltassem 2 milhões deles aqui em São Paulo. Não vai ter rua para estes carros”, explica Lírio, que defende uma cobrança diferenciada quando se trata de um grande número de cópias.
A questão é tão preocupante que o presidente Lula assinou, no último 30 de dezembro, o decreto 7.061/2009 que estabelece a cota mínima de dois filmes brasileiros diferentes e 28 dias de exibição nos complexos comerciais de cinema em 2010. O objetivo é promover a auto-sustentabilidade da indústria e o aumento da produção cinematográfica brasileira. Para o diretor da Ancine, Mário Diamante, a cota de tela é sem dúvida a principal ferramenta para ajudar na expansão do cinema brasileiro. “De certa forma, o que está sendo feito hoje é o que os estúdios norte-americanos fazem, por isso que eles já planejam com longo prazo o lançamento dos seus filmes”, disse à Agência Brasil.
Em entrevista ao Blog da Cultura, o diretor Lírio Ferreira explicou a questão.
