Depois de vários eventos literários que não tiveram continuidade – entre eles a efêmera Curitiba Literária e o Perhappiness, festival criado em homenagem a Paulo Leminski –, finalmente Curitiba sedia sua primeira Bienal do Livro. Para garantir o êxito do evento, a organização apostou no dramaturgo e escritor Alcione Araújo, que agrega à festa curitibana, como curador, sua larga experiência na tradicional Jornada Literária de Passo Fundo.
A Bienal, que foi aberta oficialmente hoje e vai até 04 de setembro, começa pra valer amanhã, com o início dos bate-papos entre escritores, sempre na faixa das 19h30 às 21h30. Na abertura, a ex-ministra Marina Silva e o teólogo Leonardo Boff debatem sobre meio-ambiente. O mote da Bienal, aliás, é um dos grandes diferenciais do evento curitibano, segundo o curador Alcione Araújo. “Curitiba tem a primeira Bienal do Livro tematizada do país. A programação está toda baseada no tripé cultura, educação e meio-ambiente. As mesas sempre vão fazer a ponte entre esses temas e a literatura”, disse Araújo na coletiva de imprensa. Depois do jump destaques sobre a programação.
Ruy Castro, que conversa com Arnaldo Bloch sobre biografias, é um dos destaques da programação, que ainda inclui os romancistas Carlos Heitor Cony, Moacyr Scliar e João Gilberto Noll. Os autores caseiros, do Paraná, serão representados por Cristóvão Tezza, Miguel Sanches Neto e Domingos Pellegrini. Autor de “O Caso da Chácara Chão” (prêmio Jabuti de 2001), Pellegrini vai lançar o livro infanto-juvenil “Professor Milionário”, pela editora FTD. O escritor londrinense é um dos autores mais lidos no segmento infantil. “A árvore que dava dinheiro”, de 1981, já vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares.
No total, serão sete debates no horário nobre. Entre os assuntos debatidos, o gênero romance é o destaque em duas mesas. Na primeira, sábado, 29 de agosto, Cony e Scliar vão falar sobre a tão alardeada morte do romance. Já no dia 3 de setembro, Raimundo Carrero, romancista e professor de oficinas literárias, conversa com Tezza e Noll sobre “a invenção do romance”.
A nova geração de autores será representada por Clarah Averbuck, Fabrício Carpinejar e Michel Laub, os dois últimos escalados no evento paralelo Conexão Geral. O poeta e cronista Carpinejar vai falar sobre “O papel da crônica na imprensa e no blog”; já Laub discorre sobre “Literatura contemporânea”.
Homenagem
O salão principal da Bienal homenageia o poeta Paulo Leminski, em referência aos 20 anos de sua morte completos em 2009. A lembrança pode ser vista como discreta se considerado a importância de Leminski para a poesia curitibana e brasileira. Já o recluso Dalton Trevisan, um dos maiores contistas do país, como era de se esperar, não aceitou o convite da organização para participar da Bienal. No entanto, a obra do Vampiro de Curitiba será esmiuçada por Nelson Vieira, português naturalizado norte-americano e especialista na obra de Trevisan.
Com mais de 300 eventos ligados ao livro e à cultura, como seminários, oficinas de texto, exibição de filmes e bate-papos – além de 70 expositores –, a I Bienal do Livro de Curitiba aposta na fama cultural da cidade para levar, pelo menos, 50 mil pessoas ao evento.
