Numa cidade cosmopolita e culturalmente tão efervescente como São Paulo, por que é tão difícil flagrar alguém acompanhado de livros em parques, praças e cafés? (Sim, sempre existirão as exceções, mas elas são exatamente isso — e acabam cumprindo a sina de estarem lá quase que somente para confirmar a regra.) Se você é um amante dos livros, há de convir: é impossível andar pelas ruas desta metrópole e não ser atropelado por essa pergunta. Certa vez, um amigo, o Paulo Vidal, chegou a confidenciar que quando se sentava em alguma praça com um livro nas mãos receava ser confundido com um ET. E pensar que em alguns lugares do mundo, a prática da leitura ao ar livre ou em público (mas sozinho) é praticamente elevada à categoria de Arte… Entre nós, é mais comum observar pessoas lendo em ônibus ou no metrô. Longe de dizer que não seja louvável dedicar todo e qualquer tempo livre para a leitura, mas limitar os livros ao exíguo e opressor espaço do transporte público paulistano é praticamente uma maldade.
Pode-se ponderar: talvez São Paulo não seja a cidade mais convidativa para quem quer se dar ao luxo de parar, sentar, abrir um livro e passear os olhos por suas páginas. Uns dirão que o medo da violência explica tudo. Outros, que leitores talvez sejam figuras mitológicas e onde eles se escondem, quem há de saber? Talvez estejam todos certos. Peço licença, porém, para evitar todas essas teses e levantar aqui a bandeira de um movimento pra lá de legítimo.

Militante, pegue sua mochila, encha-a de livros e tome as ruas! Veja, a beirada do lago do Ibirapuera parece mesmo uma delícia para deitar, se espreguiçar e… mergulhar no mundo das letras. Quer lugar mais charmoso do que a Praça do Pôr do Sol — sobretudo quando este está, de fato, se pondo — para se deixar apaixonar por uma boa história? E que tal avançar páginas e páginas tendo a metrópole todinha a seus pés? — tente a Pedra Grande, lá no Parque Estadual da Serra da Cantareira. Alguém aí já experimentou levar sua obra predileta para o alto do Martinelli e ficar lá, assim como quem não quer nada, desafiando as vertigens e lendo? E será que é pecado misturar a fome com a vontade de ler? Mesmo se for, vamos ao Mercadão devorar pastel de bacalhau e romance policial para ver no que é que dá. O Anhangabaú é ótimo, a escadaria do Municipal, charmosíssima. Ah, sim, tem o Trianon. Ou, logo em frente, o vão livre do MASP. A Praça da Luz, os jardins do Ipiranga, as ruas e avenidas da USP…
Pois é, local é o que não falta. Então, fica o convite. Neste fim de semana, junte-se ao movimento: leve seu livro para passear!
