Influência para Nietzsche e Freud, Dostoiévski é considerado um dos maiores escritores do século XIX. Suas obras ganharam novas traduções recentemente, assim como os trabalhos de alguns de seus “companheiros russos” (Púchkin, Tolstói e cia.).
As novas edições desses grandes clássicos da literatura receberam textos críticos de grandes nomes, como Paulo Bezerra e Boris Schnaiderman. É o caso de Memórias do Subsolo. A obra é o desabafo angustiante de um homem que critica os “homens de ação” de sua época. A estes, o narrador-personagem ataca o modo como se subordinam às leis da natureza e creem no “belo e sublime” de Kant, tomando isto como única verdade.
Dostoiévski escreveu Memórias na cabeceira de morte de sua primeira esposa, vítima de tuberculose: fato que talvez explique o tom pessimista que livro possui.
O próprio Nietzsche, em uma carta a um de seus amigos, escrevera sobre o livro: “A voz do sangue (como denominá-lo de outro modo?) fez-se ouvir de imediato e minha alegria não teve limites”.
As primeiras palavras de Memórias do Subsolo revelam a contundência do discurso do personagem: “Sou um homem doente… Um homem mau. Um homem desagradável…”
Vale a pena ler esse clássico da literatura!
