Segunda-feira, durante um almoço no restaurante Drouant, em Paris, os membros da Academia Goncourt divulgaram que o Prêmio Goncourt de 2009, a mais importante premiação literária da França, seria entregue à escritora francesa Marie NDiaye (ascendência senegalesa), por seu romance “Trois Femmes Puissantes”.
É a primeira vez na história dessa centenária premiação que uma mulher negra sai vencedora. Seu livro aborda os velhos (mas ainda atuais) problemas de imigração ilegal de africanos na Europa, uma questão antiga mas ainda urgente porque no cerne do debate estão as conflituosas relações entre colonizados e colonizadores. O livro, lançado em setembro na França, é um sucesso (140 mil exemplares, depois de dez edições), sendo que o seu tema não é novo para essa “jovem” autora de 42 anos e mais de 20 romances e antologias publicadas. Não deve demorar para que o livro seja editado aqui, já que deverá ser lançado em Portugal brevemente (editora Teorema).
Edmond de Goncourt foi um autor de sucesso, além de ter sido também crítico e editor. Deixou seus bens para a Academia Goncourt, que desde 1903 concede o Prêmio Goncourt. O júri de notáveis que elege o vencedor sempre se reúne no restaurante Drouant para tomar a decisão, levando o vencedor um prêmio simbólico de 10 Euros. NDiaye fará companhia a autores de peso que já foram laureados com a honraria, como Proust, Jean Fayard, Simone de Beauvoir, Georges Duhamel, Alphonse de Châteaubriant, Antonine Maillet, André Malraux, etc.
NDiaye, que tem mãe francesa e pai senegalês, começou a escrever aos 12 anos. Foi estudar Linguística na Sorbonne e publicou seu primeiro livro aos 18. Em 2001 ganhou também o Prêmio Femina por sua obra “Rosie Carpe”, e sua peça teatral “Papa doit manger” figura no repertório da célebre Comédie-Française.
Vamos ainda ouvir falar muito dela. Sua escrita é considerada pela crítica francesa como brilhante. Quando o assunto é literatura, francês sabe do que fala.
