Em 1964 aconteceram coisas inesquecíveis no Brasil. Muitas delas não foram boas. Algumas, muito tristes. Vamos pular o mês de Março, principalmente o 31, e vamos direto ao 9 de novembro, data em que Cecília Meireles sucumbiu ao câncer e aos 63 anos morreu. Dia triste. Já escrevi aqui que quando um poeta morre, morre um pedacinho daqueles que amam a poesia.
Cecília nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Fez Escola Normal, fez bonito no magistério, fez conservatório de música, fez 18 anos em 1919 e no mesmo ano fez o primeiro livro (“Espectros”). Aos 21, fez casamento com artista plástico, fez três lindas filhas, fez “Criança meu amor”, fez bonito no jornalismo (Diário de Noticias), fez críticas a Getúlio Vargas, fez incansável defesa do ensino infantil e aos 33 anos fez visita a Lisboa e Coimbra, onde fez muitos amigos. Um ano depois, 1935, fez o enterro do marido, que fez da depressão o suicídio, que fez Cecília sofrer demais. Aos 37 anos a poetisa fez por merecer o Prêmio Poesia da Academia Brasileira de Letras (pelo livro “Viagem”), fez amizade como o médico Heitor Gril, e fez outro casamento, fez mais viagens (EUA e México), onde fez conferências sobre Literatura Brasileira (Universidade do Texas).
Continue lendo:
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
(Serenata)
Aos 43 anos, Cecília fez “Vaga Música”, depois fez “Mar Absoluto”, “Retrato Natural” e “Amor em Leonoreta”, e junto com as obras fez fama, e fez jus a títulos (Grau de Oficial da Ordem do Mérito do Chile, Sócia Honorária do Gabinete Português de Leitura, etc.). Foi ficando cada vez melhor e aos 51 anos fez “Doze noturnos de Holanda & O Aeronauta”, e um ano mais tarde, finalmente, fez o máximo em “O Romanceiro da Inconfidência”, obra prima. Naquele ano, 1953, fez a Índia se curvar aceitando do próprio primeiro ministro Nehru o título Doutor Honoris Causa pela Universidade de Deli. Mas fez mais nesse ano: “Poemas escritos na Índia”, “Poemas Italianos” e o “Pequeno Oratório de Santa Clara”. Fez “Canções” em 57, fez “Obra Completa” em 58 e em 60 fez “Metal Rosicler”. Finalmente, em 63, fez o último livro, “Solombra”.
Depois do falecimento muitas outras obras suas foram publicadas. Cecília fez muito e quanta falta faz…
► Para ir além:




