18/03/2010   RSS posts: 987comentários: 2.195 updaters: 559
Bem-vindo(a) ao Blog da Cultura. Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional - Tel.: (11) 3170-4033 / contato@livrariacultura.com.br

Cecília Meireles fez muita poesia, e faz falta

ceciliamEm 1964 aconteceram coisas inesquecíveis no Brasil. Muitas delas não foram boas. Algumas, muito tristes. Vamos pular o mês de Março, principalmente o 31, e vamos direto ao 9 de novembro, data em que Cecília Meireles sucumbiu ao câncer e aos 63 anos morreu. Dia triste. Já escrevi aqui que quando um poeta morre, morre um pedacinho daqueles que amam a poesia.

Cecília nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Fez Escola Normal, fez bonito no magistério, fez conservatório de música, fez 18 anos em 1919 e no mesmo ano fez o primeiro livro (“Espectros”). Aos 21, fez casamento com artista plástico, fez três lindas filhas, fez “Criança meu amor”, fez bonito no jornalismo (Diário de Noticias), fez críticas a Getúlio Vargas, fez incansável defesa do ensino infantil e aos 33 anos fez visita a Lisboa e Coimbra, onde fez muitos amigos. Um ano depois, 1935, fez o enterro do marido, que fez da depressão o suicídio, que fez Cecília sofrer demais. Aos 37 anos a poetisa fez por merecer o Prêmio Poesia da Academia Brasileira de Letras (pelo livro “Viagem”), fez amizade como o médico Heitor Gril, e fez outro casamento, fez mais viagens (EUA e México), onde fez conferências sobre Literatura Brasileira (Universidade do Texas).

Continue lendo:

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

(Serenata)

Aos 43 anos, Cecília fez “Vaga Música”, depois fez “Mar Absoluto”, “Retrato Natural” e “Amor em Leonoreta”, e junto com as obras fez fama, e fez jus a títulos (Grau de Oficial da Ordem do Mérito do Chile, Sócia Honorária do Gabinete Português de Leitura, etc.). Foi ficando cada vez melhor e aos 51 anos fez “Doze noturnos de Holanda & O Aeronauta”, e um ano mais tarde, finalmente, fez o máximo em “O Romanceiro da Inconfidência”, obra prima. Naquele ano, 1953, fez a Índia se curvar aceitando do próprio primeiro ministro Nehru o título Doutor Honoris Causa pela Universidade de Deli. Mas fez mais nesse ano: “Poemas escritos na Índia”, “Poemas Italianos” e o “Pequeno Oratório de Santa Clara”. Fez “Canções” em 57, fez “Obra Completa” em 58 e em 60 fez “Metal Rosicler”. Finalmente, em 63, fez o último livro, “Solombra”.

Depois do falecimento muitas outras obras suas foram publicadas. Cecília fez muito e quanta falta faz…

► Para ir além:

5 Responses to “Cecília Meireles fez muita poesia, e faz falta”


  1. Gravatar Icon 1 Marta Costa

    Excelente trabalho!
    Parabéns.

    Marta Costa
    http://www.caisdopensamento.com

  2. Gravatar Icon 2 Spencer

    Cecilia é mais um(a) daquele(a)s que levaram a literatura nacional para fora do país. Viajou o mundo todo “pregando” nossa poesia (e prosa). É capaz de ser mais lida em Portugal do que aqui. O Romanceiro é ótimo!

  3. Gravatar Icon 3 lucia

    ..adoro ler Cecília Kelly….boa lembrança…parabéns bjs.

  4. Gravatar Icon 4 N

    “Se desmorono ou se edifico,
    se permaneço ou me desfaço,
    - Não sei, não sei. Não sei se fico
    ou passo.”

    Cecília sempre fará falta.
    Viva eternamente em nossos corações, mesmo que seja em livros de bolso (que por sinal, não desmerecem a autora).

  1. 1 Tweets that mention Cecília Meireles fez muita poesia, e faz falta | Blog da Cultura -- Topsy.com

Leave a Reply



Close

Close