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Primeiro livro? Rejeitados, não desistam!

daliCatherine O’Flynn era uma auxiliar de escritório, daquelas que sonham, sonham, escrevem, escrevem, imprimem o que escrevem, grampeiam, selam o envelope, mandam para os editores, que rejeitam, rejeitam, engavetam, e ela continua a escrever, escrever, e a vida passa… até que um dia acontece. Seu primeiro romance, “O Que Se Perdeu”, publicado no Brasil este ano, foi rejeitado por 20 agentes, editores, etc. antes que um deles identificasse o potencial da obra. Valeu a pena insistir. O’Flynn, aos 37 anos, ganhou em 2007 um dos mais prestigiados prêmios britânicos de literatura, o Costa Book Awards.

Desde que o mundo é mundo, e o homem descobriu o papel e a tinta, essa tem sido a vida de um “zilhão” de pessoas que tentam publicar o que escrevem. Perguntem a John Grisham a aventura de sua vida antes da primeira publicação. Esse brilhante autor trabalhava 70 horas por semana como advogado, acordava todos os dias às 5 da manhã, e sentava para escrever, e escrevia, escrevia, pois era o tempo que podia, que sobrava, e assim foi por três longos anos até ter seu primeiro romance publicado em 1988, “Tempo de Matar“. Mas antes, o livro foi rejeitado por mais de 16 agentes e editores até ser aceito pela então minúscula Wynwood Press. De lá para frente Grisham colecionou best-sellers em quantidades impensáveis, quase um por ano.

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Outra mega usina de sucessos, o americano James Patterson, autor de mais de 50 obras (em 2007 assinava um em cada quinze romances de capa dura vendidos nos EUA) também passou por maus bocados no início. Sua primeira novela, “The Thomas Berryman Number”, foi rejeitada 26 vezes antes de finalmente ser aceita em 1976, sendo que o “editor-amigo” que a contemplou demorou 7 meses para lhe dar uma resposta (quase matou o escritor de ansiedade). Claro que depois do início duro Patterson nadou de braçada, vendendo até hoje mais de 150 milhões de livros.

Poucos, no entanto, são aqueles que conseguem a primeira publicação, e raros são os que conseguem sucesso com ela. A história de fracassos é muito mais gorda e cheia de nomes esquecidos do que se possa imaginar. Escrevinhadores, assim como editores, também erram muito. Milhares insistem em publicar seu livro, às vezes por ego, ou por academicismo, ou pela ideia de ficar rico com a literatura, ou pelo fashion task do trabalho, ou por tudo isso junto e mais a doce ilusão de que o leitor está esmurrando a porta em busca da sua obra.

Por outro lado, quando o “iniciante” percebe o seu talento (são poucos os que conseguem se auto-avaliar com equilíbrio), corre atrás do reconhecimento com furiosa determinação, e não aceita um “não” que não seja convincente terá muito mais chances que os demais. “Carrie, a Estranha” (1974), o primeiro romance de Stephen King, foi rejeitado dezenas de vezes antes da consagração. Conta King que um dos editores rejeitou o livro, devolvendo os originais com uma mensagem: “obrigado, mas não estamos interessados em ficção científica que lida com utopias negativas. Elas não vendem”.

A própria máquina de faturar sucessos, J.K. Rowling, que segundo os últimos números já foi lida por mais de 350 milhões de pessoas, quase desistiu de tudo no início, quase esqueceu seu talento e se entregou ao anonimato. Seu primeiro livro, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, foi rejeitado por dúzias de editoras, incluindo as grandes (Penguin Books, HarperCollins, etc.), sendo publicado pela miúda Bloomsbury depois que a filha do CEO da empresa pediu ao pai para “imprimir” o livro.

Vida de autor no começo parece aqueles filmes de bang-bang, em que o jovem passa a adolescência sacando a arma, treinando sua habilidade, para desafiar o “matador” consagrado, respeitado. Por falar no tema, outro campeão de rejeições foi o norte-americano Louis L’Amour , falecido em 1988 e autor de mais de uma centena de western fiction. L’Amour antes de falecer declarou ter recebido mais de 200 rejeições antes de vender seu primeiro romance. Como um herói que “saca mais rápido”, depois de publicar o primeiro trabalho L’Amour vendeu mais de 200 milhões de seus 112 livros.

Vida dura essa de autor que está florescendo, nascendo. Saber mais sobre essa dura caminhada também pode ser divertido, como mostra a obra “A arte de recusar um original”, escrita pelo canadense Camilien Roy e publicada aqui em 2009. Roy mostra dezenas de exemplos hilários da tortuosa relação entre autores, editores e as suas cartas de rejeição.

Sempre que penso nessa caminhada inicial me lembro de Cora Coralina, nossa poetisa eterna. Seu primeiro livro, “Poemas dos Becos de Goiás”, foi publicado pela José Olympio em 1965, quando Cora já estava com 75 anos. Seus poemas a transformaram tardiamente em uma das maiores personalidades da língua Portuguesa, sendo eleita em 1983 como intelectual do ano. No mesmo ano recebeu o Juca Pato e dois anos mais tarde nos deixou. Para terminar, faço minhas as palavras da poetisa, uma síntese do que aqui tentei mostrar: “O que importa na vida não é o ponto de partida, mas a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.”

*A imagem “Birth New Human” é do pintor Salvador Dalí

2 Responses to “Primeiro livro? Rejeitados, não desistam!”


  1. Gravatar Icon 1 André

    Acho que o caso mais famoso foi o de Jack Kerouac, cujo livro “On the Road” demorou 6 anos para ser publicado, após ter sido rejeitado por diversos editores.

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