Cesar Millan tem 41 anos, é instrutor de cães, tem um programa semanal no National Geographic Channel chamado “O Encantador de Cães” (aqui passa pelo Animal Planet), possui uma clínica de recuperação canina em Los Angeles (Dog Psychology Center), uma revista mensal (Cesar’s Way) e é autor de vários livros, entre eles “O Encantador de Cães”, publicado aqui em 2007.
Millan está se transformando num ícone da mídia, e não sem motivos. Mexicano, fez o que fazem milhares de seus compatriotas todos os anos: atravessou ilegalmente a fronteira para os EUA. Tinha 18 anos, nenhum dinheiro no bolso, não falava Inglês e não conhecia nada e ninguém na América.
Desde logo começou a vender seus serviços de adestramento, de porta em porta, por alguns trocados, levantando o suficiente para ir sobrevivendo. Aos poucos foi conhecendo pessoas mais importantes, com mais dinheiro, com cães mais abusados, mal educados, e Cesar foi impondo respeito (trabalha com cães desde criança). O tempo passou, fundou uma pequena academia, depois outra maior, foi se especializando, trabalhando duro, aprendeu inglês, adestrou cães de celebridades, foi estudando técnicas de apresentação, e mais que tudo, foi encantando os cães e seus donos.
Em 2004 fez um piloto do programa “O Encantador de Cães”, e o sucesso não veio de imediato, mas aos poucos, lentamente, como tudo o que Millan faz, mas em 2006, 2007 e 2009 sua série já era nominada para ganhar o Emmy. Em 2000, conseguiu residir legalmente na América, e em 2009 tornou-se cidadão norte-americano. Autodidata, foi se impondo e mostrando que sem precisar ser gênio, ou PHD, era possível dominar os cães e levá-los a uma melhor convivência com seus “patrões”. Aliás, quem vê o programa logo percebe que o problema nunca está nos cães, mas quase sempre nos donos. Chega a ser irritante a forma como as pessoas não sabem lidar com sua “prole canina”, mimando, superprotegendo, ou incitando-os a serem desobedientes. Millan, com uma calma budista, vai mostrando na TV que às vezes é o dono que precisa ser “adestrado”.
Sua influência cresceu tanto que no final do ano passado o jornal The New York Times publicou artigo de Alex Williams (“Becoming the Alpha Dog in Your Own Home”) explicando que vários pais estavam utilizando as técnicas em adestramento de Millan para educar seus próprios filhos, com bons resultados. Sua estratégia é simples e está centrada em três eixos: exercícios, disciplina e afeto. Óbvio que não foi Millan que inventou essa forma de adestramento, mas seu poder de comunicação (às vezes um pouco cabotino) torna tudo muito efetivo.
Seu programa já é visto por mais de 11 milhões de espectadores a cada semana, seus livros já venderam mais de 2 milhões de cópias e seu site (cesarmillaninc.com) recebe mais de 400 mil visitas mensais. De acordo com MPH Entertainment, a produtora que é sócia de Millan em todas suas realizações, seu negócio deve chegar logo a 100 milhões de dólares. Nada mal para um mexicano, cristão, casado, dois filhos e que atua de maneira intensa em várias causas filantrópicas (como todo bom americano bem-sucedido). Millan é uma prova real de que a América continua a ser um templo do self-made men.
