
No livro O filho eterno, Cristóvão Tezza, ganhador dos Prêmios Portugal Telecom, Bravo! Prime, Jabuti, APCA e São Paulo de Literatura, utiliza frequentemente a frase “nada do que não foi poderia ter sido”. O narrador desse romance-autobiográfico refere-se à inutilidade da vontade perante situações concretas, sobrando ao individuo a necessidade de se conformar com o inexorável destino. Pessimismo? O narrador parece mais realista a porta-voz do sentido trágico da vida.
Em entrevista à Revista da Cultura, edição 24, Tezza disse que, ao ler trechos de O filho eterno, “sente algumas pontadas de estranheza, de uma espécie de duplo.” A sinceridade com que foi produzido o livro talvez explique sua afirmação. A obra narra a trajetória de um pai que se vê com um filho portador da Síndrome de Down, apontando todos os sofrimentos, sensações e decepções do narrador que foi imbuído pelo “destino” a cuidar de uma criança deficiente.
As frustrações desse pai são expostas em sua totalidade. Por esse motivo, em certos momentos do livro, a narrativa soa preconceituosa, despertando no leitor uma inquietação, como se aquilo que lê fosse proibido dizer. Por revelar sem receios o que todos se esforçam para esconder, O filho eterno torna-se mais um romance contemporâneo que merece ser lido.
