22/03/2010   RSS posts: 989comentários: 2.245 updaters: 559
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O filho eterno

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No livro O filho eterno, Cristóvão Tezza, ganhador dos Prêmios Portugal Telecom, Bravo! Prime, Jabuti, APCA e São Paulo de Literatura, utiliza frequentemente a frase “nada do que não foi poderia ter sido”. O narrador desse romance-autobiográfico refere-se à inutilidade da vontade perante situações concretas, sobrando ao individuo a necessidade de se conformar com o inexorável destino. Pessimismo? O narrador parece mais realista a porta-voz do sentido trágico da vida.

Em entrevista à Revista da Cultura, edição 24, Tezza disse que, ao ler trechos de O filho eterno, “sente algumas pontadas de estranheza, de uma espécie de duplo.” A sinceridade com que foi produzido o livro talvez explique sua afirmação. A obra narra a trajetória de um pai que se vê com um filho portador da Síndrome de Down, apontando todos os sofrimentos, sensações e decepções do narrador que foi imbuído pelo “destino” a cuidar de uma criança deficiente.

As frustrações desse pai são expostas em sua totalidade. Por esse motivo, em certos momentos do livro, a narrativa soa preconceituosa, despertando no leitor uma inquietação, como se aquilo que lê fosse proibido dizer. Por revelar sem receios o que todos se esforçam para esconder, O filho eterno torna-se mais um romance contemporâneo que merece ser lido.

2 Responses to “O filho eterno”


  1. Gravatar Icon 1 Adriana C. Moreira

    Lembro que este livro surgiu quase na mesma época em que uma novela falava também em síndrome de Down. Achei os dois ótimos, cada um do seu jeito, e acho que todos nós devemos nos informar desses assuntos. Não dá mais para suportar preconceito com vítimas dessa doença!

  2. Gravatar Icon 2 Ivan Martinelli

    Li a entevista e adorei o comentário aqui no blog. É mesmo um livro que merece ser lido. Parabéns!

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