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Mary Quant, a mulher que inventou o joelho

mary6Uma feliz estudante brasileira, bem ou mal intencionada, doce, corajosa, retrato de uma geração deslumbrada com o exibicionismo, vai para Universidade com uma minissaia e recebe uma colossal manifestação de volúpia. Espanto, descontrole, medo, baixaria, polícia, jornais, capa de revista, “garota-mídia-2009”, debate sobre direitos da mulher, reitoria medieval, decisão desproposital, minissaia expulsa, ex-expulsa, mundo louco, repetitivo.

Para uma (ainda) elegante senhora de 75 anos, moradora de Surrey (sul da Inglaterra, perto de Londres), concentrada em escrever dois livros sobre sua vida, abrir os jornais da semana passada e ver o frisson brasileiro por conta de uma minissaia deve ter sido hilário. Jornal na mão, bebericando uma xícara de english tea, a dama deve ter sentido uma faísca de orgulho, e talvez até alguma emoção maior. A estilista Mary Quant, que na década de 60 inventou a minissaia, deve ter se jubilado quando 45 anos depois de sua invenção esta ainda provoca pequenas catarses mundos afora.

A inglesa Mary Quant, filha de um professor galês, ex-estudante de arte obcecada pela cor (estudou Belas-Artes no Goldsmith’s College), não foi só a responsável por subir alguns centímetros da saia. Mais do que isso, Quant “inventou” o joelho. Esse membro, localizado entre o fêmur e a tíbia, estava segredado, escondido, contido, esperando o seu momento de aparecer, de se despir e enlouquecer a tribo masculina.

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Não há novidade no fato. No final dos anos 50, Mary Quant passou a desenhar sua própria roupa e, anos depois, em julho de 1964, lançou sua mini skirt. A minissaia vinha ao mundo numa década cheia de conquistas femininas, cheia de lutas contra o preconceito e contra a tirania machista. Quando a moda da saia curta invadiu o planeta, invadiu também a mente libertária das mulheres, que mais do que exibicionismo queriam igualdade, respeito e reconhecimento. Ao lado do marido (Alexander Plunkett Greene, falecido em 1990), Quant abriu a loja Bazaar, na famosa King’s Road, em Londres, e seu saiote de 30 cm de comprimento, usado com botas altas, foi a consagração. O mundo da moda reverenciou o Swinging London (efervescência cultural modernista de Londres) e ficou entorpecido com a redescoberta de uma feminilidade que no pós-guerra estava adormecida. Quant expandiu sua rede de lojas (150 na Inglaterra, 320 nos EUA e milhares ao redor do mundo) e sua miniroupa tornou-se símbolo da vanguarda dos anos 60 e 70. O joelho feminino foi para os bares, festas, invadiu as ruas, as praças, abriu espaço no cinema e na mente da sociedade contemporânea.

mary7Em 66, aos 32 anos, a estilista recebeu a Ordem do Império Britânico da rainha Elizabeth II (que devia morrer de inveja de não poder usar aquela invenção fashion). Quant, óbvio, usava na recepção uma vistosa minissaia. Sua carreira decola, e sua produção avança criando casacos e botas em PVC, acessórios, cosméticos, tudo descompromissado e jovem. Também lançou tops de crochê, roupas de malha canelada (aderentes ao corpo) e cintos largos jogados sobre os quadris.

Quant revolucionou a roupa feminina rompendo a secular barreira entre o vestuário formal e o informal. Vale registrar que em Paris, por volta de 1965, André Courrèges também estava reduzindo o comprimento dos vestidos, mas nunca se levou a sério a idéia de que alguém copiava alguém. O tempo foi soberano, e Quant ficou como autora da minissaia.

Como manda a via crucis da moda, ao final dos anos 70 a estilista já estava quase esquecida. Pressionada, vendeu seu negócio, ocupando-se depois apenas da parte cosmética e da criação para outras empresas. Em 1994, aos 60 anos, Quant lançou uma coleção de acessórios e uma nova linha de cosméticos. “É para que ninguém me esqueça”, disse a estilista à época. Continuou a ser uma mulher chique, nada conformista e adepta da vanguarda em sua produção. Em entrevista a France Presse, em 2004, afirmou que “o desejo pelo individualismo ficou hoje ainda mais forte, e as pessoas não querem mais regras para a moda, apenas querem idéias para seremr usadas de modo próprio”.

Em janeiro de 2009, Quant estava presente no lançamento do selo comemorativo British Design Classics, uma celebração aos ícones da criatividade britânica, sendo ela uma das eleitas a ter seu busto impresso nos selos. Pouco depois da cerimônia, em entrevista ao jornal Daily Telegraph, Quant matou a charada: “Eu cresci sem querer crescer. Crescer parecia terrível! Eu fiz o meu melhor para evitar envelhecer, no sentido sombrio da idade. Eu sempre tive medo de não aproveitar a vida. Acho que estar vivo é tão maravilhoso!. Não tinha medo da nada a não ser de não poder desfrutar a vida. Não pare nunca! Nunca dá para perder o interesse pela vida, você não concorda?”, perguntou ela ao jornalista.

Respondo eu: você tem razão, Mary, nunca dá para perder o interesse pela vida. A liberdade de viver como desejamos, vestir o que quisermos e ir onde queremos é inegociável.

15 Responses to “Mary Quant, a mulher que inventou o joelho”


  1. Gravatar Icon 1 msalgado

    Ótimo post!

    Destaco a necessidade de bom senso e adequação por conta do (também) socialmente inegociável “contrato social” e da liberdade dos outros de estarem ou não sujeitos a presenciar/conviver com determinada situação.

    É, essa discussão poderia ter pontos em comum com a do cigarro..! Pontos em comum, veja bem. Abraço!

  2. Gravatar Icon 2 lucia

    Kelly !!!!! minha querida…..estou estupefata com atitudes daqueles “universitários” contra a colega…..nossa!!!! quanta ignorância…falta de ética …bom senso….muita canalhice…..vergonhoso…..

  3. Gravatar Icon 3 Arthur

    É, o mundo, e principalmente o Brasil, está precisando de outras Mary Quant, Simones de Beauvoir, Coco Channel, etc … .

  4. Gravatar Icon 4 André

    Cara Kél:
    Tenho a opinião de que o traje usado pela estudante Geisy Arruda não foi o motivo das agressões que ela sofreu; apenas pode ter servido de pretexto. Acredito que o verdadeiro motivo esteja ligado à condição social humilde da garota. Geisy cometeu o pecado de, sendo pobre, se destacar num ambiente de “patricinhas” e “filhinhos de papai”. Então já havia um clima anterior favorável aos acontecimentos daquela noite. As garotas da faculdade não se conformavam com a popularidade de Geisy, e passaram a insuflar os rapazes até que conseguiram provocar todo aquele tumulto. Se Geisy fosse rica, nada disso teria acontecido.
    Finalmente, quanto à criação da mini-saia (recuso-me a seguir o acordo ortográfico), vale lembrar que, além da liberação dos costumes, foi fator preponderante de seu sucesso a escassez de algodão no mercado internacional na década de 60, levando à necessidade de reduzir o comprimento das saias.
    Mais uma vez, parabéns pelo seu belíssimo post, criando um espaço para esse tipo de discussão.

  5. Gravatar Icon 5 Spencer

    nem sabia que ela ainda estava viva. Não aconteceu nada na Universidade, só bagunça (com a força do twitter) e deslumbramento. Nem a garota poderia chegar tão alto, nem a Universidade tão baixo. A manifestação foi superdimensionada pela midia e pelo autismo da reitoria.

  6. Gravatar Icon 6 Emilio

    Um viva às mulheres que não só “inventaram” essas maravilhosas partes do corpo, mas que têm a coragem de mostrá-las! Eu digo continuem assim! :)

  7. Gravatar Icon 7 Monteiro

    A comparação de Mr. MSalgado entre a questão do tabaco e a da roupa feminina resultou, para mim, numa “quase piada”. Deu vontade de rir, tal é o desastre da comparação mas, no final, ficou só o “quase”. Porque afirmações desse calibre não têm piada nenhuma.

    Vejamos: a questão do tabaco tem a ver com razões que envolvem a saúde, certo? O fumo é prejudicial e ninguém deve estar sujeito a ele sem o desejar. E não existe argumento contrário possível. Eu sou fumador mas reconheço os direitos dos outros em não quererem serem sujeitos ao fumo de terceiros. E aceito isso naturalmente.

    Agora, me diga Mr. Salgado, usar uma minissaia prejudica a saúde? Faz mal para utilizadores ou para terceiros? Humm… acho que não… Ou será que vossa excelência fica incomodado perante a visão de uma bela coxa? Receio de taquicardia?
    Não, já sei! É porque pode ser nefasto para a educação das criancinhas. Coisa feia essa de ver coxas. A criançada vai ficar tarada…

    Não, a verdadeira questão é que tudo isso é prejudicial apenas para a moralidade bolorenta de quem tem dificuldade em sair do séc XIX. Daqueles que adoram coxas mas só no recato do lar e, de preferência, de luz apagada (porque esposa é sagrada). Coxas à vista, só mesmo no bordel.

    Acha mesmo que existe na Europa algum país onde uma mocinha seja incomodada por vestir isto ou aquilo?
    Mas, talvez a sua referência seja mais para os lados do Afeganistão… Burkas nas meninas… e Burkas nas mentes!

    Kelly: Mary Quant não inventou o joelho, inventou a coxa! A linda, sedutora e maravilhosa coxa.

  8. Gravatar Icon 8 Marcelo Salgado

    Esse “papo de machinho” de “Uau, belas coxas, sou macho, gosto de olhar merrrrmo, aí…” coloca a conversa num nível que não é o que eu pretendia. E fui bastante claro quando disse “pontos em comum, veja bem”. Aliás, se eu gosto, aprovo ou não minissaia, eu nem revelei..! Apenas coloquei algumas idéias em contraponto pra não chegar aqui e dizer que “a água é molhada”. Se o impacto pessoal/emocional/irônico de meu comentário foi forte assim, puxa, legal. Peço somente lógica e respeito. Dificilmente vou chegar aqui e dizer que “banana é uma fruta” - não acho graça.

    Só fiz lembrar questões de “esfera pública” e cidadania (leia Habermas nisso), coletividade, contrato social e por aí vai.

    E adoro (se vejo sentido) argumentar contra, brincar de advogado do diabo. Se todo mundo chegar nas conversas e disser: “OK! Concordo!”, que graça e que construtividade intelectual haverá? Nada, nenhuma. A coisa acaba por ali. Não vejo graça em não provocar, só concordar. Nem uma amizade ou demais motivações me levariam a isso. As idéias importam mais. Estou contente! Gosto disso: discussões saudáveis - mas em bom nível, no nível das idéias. Objetivo cumprido. E há muitos posts aqui, vamos ver se outras coisas além das palavras “minissaia” e “coxa” reverberam, ressoam.

    Ah, e sempre haverá hora pra coxas e joelhos. :- )

    Marcelo Salgado

  9. Gravatar Icon 9 Monteiro

    Caro Marcelo Salgado,

    Lamento duas coisas: ter personalizado demasiadamente a questão e ter sido escusadamente agressivo. Por isso peço desculpa. Tudo o resto mantenho.

    Já comento aqui há algum tempo e nunca tal me tinha acontecido. Nunca anteriormente nada nem ninguém me tinha irritado a ponto de, digamos, perder a compostura. E escolho esta última expressão pois acho que não só se adequa mais ao que aconteceu, como tem a vantagem de permitir que evite a sua afirmação acerca dos nossos “diferentes níveis”. Algo que, a comentar, me levaria por caminhos que realmente não pretendo nem sinto necessidade de percorrer. Mas entendo que agressividade leva a… mais agressividade.

    Passando aquilo que realmente interessa, o que me irritou foi o modo como resolveu comentar, insinuando mas, na verdade, nada dizendo. Concordo com você que não serve de nada entrar numa discussão para dizer apenas amém. Que é preciso contraditar. Acredito nessa postura, apenas não sou fundamentalista. Por vezes um reforço positivo, bem fundamentado, também pode construir.
    Mas, voltando à questão do seu contraditório, se por um lado você contraditou, por outro, nada acrescentou, nada adiantou (“essa discussão poderia ter pontos em comum com a do cigarro..!”). Entendi que se diverte em olhar a questão sob o ponto de vista da teoria sociológica, seja porque pretende estimular a discussão, seja porque tem dúvidas acerca do assunto ou porque quer fazer o papel do advogado do diabo. Mas, é precisamente aí, para mim, que reside o âmago da questão. Neste assunto concreto, penso que mais do que nos divertirmos analisando o fenómeno de modo científico, neutralmente, lançando a dúvida, seria fundamental dizer logo à partida que isso não é algo que seja passível de acontecer numa sociedade moderna. O modo como alguém decide se vestir é também um modo de se expressar. E cada um sabe de si. A liberdade de expressão é um direito inalienável, como decerto concordará. Não há espaço aí para “brincadeiras”.

    Enfim, desejo que este pequeno desentendimento fique assim ultrapassado.

    PS: Só depois de escrever o anterior comentário é que percebi que você é um novo colaborador do blog. Deixo-lhe, muito sinceramente, os meus desejos de um ótimo trabalho, num espaço que tanto aprecio.

  10. Gravatar Icon 10 Marcelo Salgado

    Poxa vida, obrigado pela consideração e por ter sido tão razoável, Monteiro.

    Entenda que até por ter “acabado de chegar” e por uma certa “função” que vou arduamente tentar entender qual é e então, tentar cumprir, ainda me sinto “pisando em ovos”..!

    Desculpa, sinceramente, da minha parte, também. Admito que (ao menos às vezes e por causa do que mencionei mais acima - pisando em ovos ainda) procuro ser mais neutro, “jogar” idéias e contrapontos e ver até onde a discussão vai. Nesse sentido, meio que um mediador.

    Mas, claro, tenho também espaço pra opinar, pra colocar o que a minha pessoalidade/emoção sente a respeito de um assunto, né. Vou me soltar mais com o tempo - acredite..! Hehehe :- )

    Por falar nisso: não vejo nada errado em pernas de fora (só sou muito metido a tímido pra admitir que aprecio na maioria das vezes..!). E acho mesmo que houve um excesso PERTURBADOR por parte dos alunos e da universidade no caso Geisy. Realmente perturbador..!!! Fico pensando se foi mais mesmo um jeito que acharam de rechaçar a colega por diferenças de outras ordens (socioculturais).

    Muito bizarro, muito surreal o que aconteceu.

    Abraço pra todos e boa noite!

    Marcelo Salgado

  11. Gravatar Icon 11 Gabriel

    André,

    Não querendo ser agressivo, mas você conhece a história realmente? Ou está botando culpa na diferença social sem critério algum?

    Fico incomodado com esse argumento por um motivo. Eu sou “filhinho de papai” e não gosto desses preconceitos idiotas.

    Estereotipar pessoas da faculdade como playboys que não gostam de pobres que são bem sucedidos é complicado.

  12. Gravatar Icon 12 André

    Procuro ter o cuidado de, ao emitir um comentário, buscar conhecer um pouco o assunto abordado. Quando me referi à condição social da estudante Geisy, eu sabia, por exemplo, que ela trabalhava em um mercadinho desde os 16 anos (http://74.125.93.132/search?q=cache:lZY01vH5LmMJ:www.cabecadecuia.com/noticias/58467/bando-faz-refens-em-mercado-onde-trabalha-geyse-arruda-aluna-da-uniban.html+mercadinho+geisy+arruda+R%24+410,00&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br ) e que costumava seguir para a faculdade de ônibus ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u645465.shtml ). Essas informações, aliadas às entrevistas mostradas na televisão, justificam o critério de mostrar a garota como sendo de uma classe humilde.
    Em seguida, quero dizer que não uso o termo “filhinhos de papai” tão somente em função da classe mais afortunada de alguém, mas sim para designar aqueles que não se acham sujeitos a quaisquer tipos de limites, principalmente em seu modo de interagir com os mais desfavorecidos. Garotos com esse comportamento já foram notícia em outras oportunidades, como no caso do assassinato do índio Galdino (http://pt.wikipedia.org/wiki/Galdino_Jesus_dos_Santos ), infelizmente sem punição, e de agressões anteriores no prédio da própria Uniban (http://www.youtube.com/watch?v=krG7_hF-VWw ).
    Para enriquecer o assunto, gostaria de recomendar a leitura do blog Todo Prosa, de Ricardo Soares, onde o assunto “Mauricinhos” foi objeto de diversos posts interessantes: http://todoprosa.blogspot.com/search/label/mauricinhos .

  13. Gravatar Icon 13 André

    Procuro ter o cuidado de, ao emitir um comentário, buscar conhecer um pouco o assunto abordado. Quando me referi à condição social da estudante Geisy, eu sabia, por exemplo, que ela trabalhava em um mercadinho desde os 16 anos ( http://74.125.93.132/search?q=cache:lZY01vH5LmMJ:www.cabecadecuia.com/noticias/58467/bando-faz-refens-em-mercado-onde-trabalha-geyse-arruda-aluna-da-uniban.html+mercadinho+geisy+arruda+R%24+410,00&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br ) e que costumava seguir para a faculdade de ônibus ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u645465.shtml ). Essas informações, aliadas às entrevistas mostradas na televisão, justificam o critério de mostrar a garota como sendo de uma classe humilde.
    Em seguida, quero dizer que não uso o termo “filhinhos de papai” tão somente em função da classe mais afortunada de alguém, mas sim para designar aqueles que não se acham sujeitos a quaisquer tipos de limites, principalmente em seu modo de interagir com os mais desfavorecidos. Garotos com esse comportamento já foram notícia em outras oportunidades, como no caso do assassinato do índio Galdino ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Galdino_Jesus_dos_Santos ), infelizmente sem punição, e de agressões anteriores no prédio da própria Uniban ( http://www.youtube.com/watch?v=krG7_hF-VWw ).
    Para enriquecer o assunto, gostaria de recomendar a leitura do blog Todo Prosa, de Ricardo Soares, onde o assunto “Mauricinhos” foi objeto de diversos posts interessantes: http://todoprosa.blogspot.com/search/label/mauricinhos .

    (Postado novamente por haver saído com incorreções).

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